06/03/2026
Andar em bando sempre foi algo mal interpretado, principalmente quando se trata de mulheres. Durante muito tempo (vulgo até hoje) disseram que mulheres juntas eram sinônimo de fofoca, intriga, disputa. Era preciso nos separar para nos enfraquecer.
Entendi que andar em bando é um ato político.! É o que nos mantem vivas.
Não falo de multidão vazia, daquelas que se vai pq todos estão, falo de comunidade, de mulheres que se reconhecem nas suas faltas, nas suas histórias e também nas suas forças. Mulheres que se escutam sem precisar disputar quem sofreu mais, que se olham e dizem, com o olhar “eu entendo um pouco do que você sente.”
Existe algo profundamente revolucionário quando uma mulher não precisa mais enfrentar o mundo sozinha. O bando protege, o bando sustenta, o bando lembra quem somos quando a gente esquece.
Durante séculos fomos ensinadas a competir pela atenção, pelo amor, pelo lugar possível dentro de um mundo que quase sempre foi organizado por e para os homens, mas quando mulheres começam a andar juntas, algo nessa lógica se rompe.
No bando, uma cuida da outra, uma levanta a outra, uma segura quando a outra cansa. E isso não é fraqueza, é estratégia de sobrevivência.
Talvez por isso um bando feminino assuste tanto, porque mulheres em comunidade deixam de pedir permissão para existir, elas criam outras formas de viver.
Andar em bando, no fundo, é lembrar de algo ancestral de que nenhuma de nós foi feita para caminhar só.
E quando mulheres caminham juntas, não é só um grupo que se forma é um território novo que nasce.
Por aqui, sigo me juntando aos bandos que me acolhem e me sustentam, e tu?