18/02/2026
A FILHA DA EMPREGADA
Capítulo 14
Cecília narrando
Como? Como eu poderia me sentir feliz com isso?! Eu estou saindo com um homem casado e que, além de tudo, é patrão da minha mãe. Mas eu estou feliz, eu estou gostando. Me sinto bem, me sinto feliz quando estou com ele.
Guilherme é romântico, carinhoso e cuidadoso. Me trata como nenhum outro garoto foi capaz. E talvez por ele não ser um garoto.
Lembro da minha primeira vez, há um mês atrás, e não poderia ser melhor. Ele me permitiu conhecer o prazer com carinho e cuidado, e continua assim até hoje. Quando nos amamos, Guilherme não me machuca, e me sinto vazia quando não o tenho em mim.
Mesmo tendo que aguentar a Lívia, que a cada dia está pior, parece desconfiar de algo, porque ela sempre me trata mal e me humilha. Guilherme sempre me defende, mas me sinto muito mal por saber que ela está certa. Eu me meti no seu casamento.
Mas não sou capaz de me afastar dele. Eu acho que estou perdidamente apaixonada por Guilherme.
— No que está pensando?
Olhei para o lado e Manu me olhava. Na frente, a professora Luísa explicava algo que eu não prestava atenção.
— Nada — falei curto, para não deixar a mulher à nossa frente perceber a falação. Não quero que ela me mande sair da sala. Mesmo sem prestar atenção em nada, prefiro estar aqui.
Manuela ficou em silêncio e voltei aos meus pensamentos. Nesse último mês, em que eu fiz tudo que não fiz em 18 anos de vida, estou mentindo para minha mãe, mentindo para todos ao meu redor. Sinto muita culpa. Às vezes até vou até Guilherme no intuito de terminar tudo que temos, mas não consigo.
Quando sinto seu corpo junto ao meu, sua barba tocando minha pele e suas mãos me acariciando, minha mente trava e apenas meu corpo funciona, acabando por fazer o contrário do que a mente manda.
[…]
— Tem uma festa no sábado. O que acha de ir comigo? — Manuela dirigia calmamente. Já insisti de todas as formas para que ela não me deixasse em casa. Não quero dar tanto trabalho, mas ela sempre diz que é um prazer e que gosta da minha companhia, até porque eu ajudo ela com a matéria.
Mas eu não queria mesmo incomodar. Quase sempre ela me leva para casa quando não está com Leandro, ou quando eu não vou sair com Guilherme.
— Não sei… acho melhor não.
— Qual é, Cecília? Por favor, é só uma festa. Eu não quero ir sozinha.
— Vai com o Leandro, ué.
Ela revirou os olhos.
— Eu quero ir com você, com uma amiga, e não com o Leandro. Eu e ele estamos brigados — bufou.
— Hum… está bem, mas não some com ninguém, por favor, e não vamos ficar até tarde — assentiu, sorrindo.
— Obrigada — disse, com um enorme sorriso, e neguei com a cabeça.
Guilherme continua não gostando da minha amizade com Manu, mas eu não posso fazer nada quanto a isso. Não vou viver minha vida me baseando naquilo que ele gosta ou no que ele não gosta. Então, mesmo ele falando que eu devia me afastar da Manuela, eu continuo sendo sua amiga, e ela nunca me fez nada de mal.
Sei que Guilherme só não quer que eu fique de papo com uma mulher com quem ele já se envolveu. Mesmo ele dizendo que foi só uma noite, eles se envolveram e pronto. Isso me incomoda, não posso negar, mas as poucas vezes que Manu fala de Guilherme é insinuando que temos algo, e sei que ela gosta do Leandro.
Após mais um tempo, chegamos e agradeci a Manu pela carona. Entrei e minha mãe não estava. Vi sua mensagem pedindo que eu servisse o jantar quando chegasse a hora. Rosa passou mal e elas estão no hospital. Respondi confirmando e fui para o meu quarto.
Arrumei minhas coisas e fui para o banheiro, onde tomei um banho longo e relaxante. Estava precisando disso.
Voltei para o quarto e vesti uma calça jeans e blusa branca.
[…]
Arrumei a mesa e informei a Lívia, que me olhou com desdém e assentiu.
Quando eles já estavam sentados à mesa, fiz menção de me retirar, e a mulher me olhou.
— F**a aí — disse fria. — Podemos precisar de algo — disse mais calma, quando Guilherme a olhou.
Suspirei baixo e continuei ali parada enquanto eles comiam. Guilherme me olhou como se pedisse perdão por aquilo. O ignorei. Preferia não buscar culpados, não tornar isso mais duro do que já era. Eu sinto algo intenso por Guilherme, mas em horas como essa me arrependo amargamente.
— Está me ouvindo, garota? — Lívia gritou, me fazendo sacudir a cabeça e voltar ao mundo real.
— Me desculpe — falei, olhando-a — Senhora — Falei quando senti seu olhar exigir essa palavra.
— Falei que já pode se retirar. Meu marido e eu temos coisas pessoais para fazer, se é que me entende. Mas deve entender mesmo, essa carinha não me engana, sei que…
Ela foi interrompida.
— Lívia — Guilherme tinha o tom frio, como eu só ouvia quando ela estava por perto. Ele parecia outra pessoa quando ela estava presente. Não era o mesmo homem carinhoso e simpático com quem eu estou me envolvendo há um mês.
— Cecília, pode se retirar, por favor — mesmo usando um tom simpático, Guilherme tentava não deixar transparecer que existia algo mais entre nós, mas algo me dizia que era desnecessário.
Finalmente eu poderia dormir, depois de mais uma humilhação. Minha mãe telefonou e disse que ia passar a noite na casa da Rosa, mas logo cedo estaria de volta.
Após mais um banho relaxante, vesti um pijama confortável: blusa meio colada e short soltinho. Me deitei na cama pronta para descansar e ter uma noite de sono, que espero ser boa. Porém, o som da porta sendo aberta me interrompeu.
Assustada, olhei e, devido à luz apagada, tive dificuldades para ver quem era. Mas suspirei aliviada ao notar que era Guilherme. Ele trancou a porta com as chaves que só ele tem e se aproximou.
— Guilherme, é arriscado vir tanto aqui. O que você quer? — perguntei impaciente, porque quero dormir e porque é mesmo muito arriscado.
— Sua mãe e a Rosa não estão. Briguei com a Lívia e ela pensa que estou dormindo no quarto de hóspedes — explicou, como se não houvesse nenhum problema.
— Mas os seguranças estão aqui, Guilherme. Por favor, vá embora.
Eu estava exausta com essa situação e com tudo que estava acontecendo desde que estou nessa casa.
— Eu só vim pedir perdão por tudo que Lívia faz. Me sinto culpado por tudo que tem acontecido, me sinto culpado por te sujeitar a isso. Me perdoa — disse, me olhando nos olhos.
— Você não me obrigou a nada — falei, sentindo que ele estava tão mal quanto eu com isso. Mas, tal como eu, sei que ele não quer colocar um fim a isso que temos.
— Posso ficar aqui? — pediu, me olhando como um cachorro abandonado.
Neguei com a cabeça, sorrindo.
— Por favor — disse, beijando meu pescoço.
— Só um pouquinho… — já não era eu falando, pois seus lábios estavam no meu pescoço e uma de suas mãos apertava levemente meu s3io por cima da blusa.
Guilherme passou do pescoço para meus lábios, os beijando intensamente, enquanto sua mão agora estava debaixo da blusa.
— Ahh… — gemi ainda entre o beijo.
— Te quero tanto — disse, com a voz rouca, enquanto suas mãos percorriam cada parte do meu corpo.
— Não podemos, Guilherme, aqui não — disse, com as pernas trêmulas, ao sentir sua mão percorrer o interior das minhas coxas despidas.
Nesse tempo em que estamos “saindo”, nunca fizemos amor aqui ou em qualquer outro canto da casa. Sempre é no seu apartamento, por segurança e para amenizar a culpa.
— Ninguém vai ouvir, vai ser rápido — disse, e na sua voz estava nítido o desejo e a excit que já o dominavam.
Sua mão desceu meu short e minha c num movimento rápido, e senti seus dedos quentes me penetrarem, me fazendo arfar.
[…]
Estava com a respiração acelerada. Não acredito que eu fiz isso. Com a mulher dele do outro lado da casa. Mesmo sendo muito distante e não haver possibilidade de escutar estando lá, senti tanto medo que acabou tornando a situação ainda mais excitante.
Guilherme estava do meu lado, com sua mão no meu cabelo, fazendo carinho. Sorri, sentindo seus lábios depositarem um beijo na minha testa, e fechei os olhos, me permitindo finalmente ter uma noite de sono, sabendo que quando eu estivesse dormindo ele teria que voltar para a sua mulher.
[…]
Antes do despertador, acordei lembrando da noite anterior e do medo, excitação e adrenalina que a marcaram. Mas só nesse momento eu lembrei de um detalhe.
Merda… não usamos ca*****ha.
Levantei apressada, sem saber o que fazer, nem com quem falar sobre isso. Contei à minha mãe que perdi a virgindade, mas como eu explicaria que fiz amor exatamente nessa noite se eu não saí de casa?! Droga.
Tomei um banho rápido e vesti uma roupa simples e confortável para a faculdade. Peguei meu material e saí, encontrando minha mãe.
— Bom dia, mamãe — beijei sua bochecha.
— Bom dia, filha — respondeu simpática.
— E a Rosa? Como está? — perguntei preocupada.
— Infelizmente ela parece não melhorar — disse triste.
— Sinto muito — disse, sabendo da sua amizade, e ela sorriu fraco. — Estou indo para a faculdade — informei.
— Você devia comer algo, filha. Está cada dia mais magra — disse preocupada.
— Eu como lá, mamãe — disse, e ela concordou.
[…]
Logo na entrada encontrei Manuela, que não parava de falar da tal festa de sábado. Mas eu não prestava atenção, pensando no fato de Guilherme e eu não termos usado ca*****ha.
Eu preciso da tal pílula do dia seguinte ou sei lá o quê. Guilherme me levou a uma ginecologista, mas ainda não sei nada sobre o assunto e estou morrendo de medo. Sei que Manu poderia me ajudar, mas prefiro falar com ele.
“Bom dia. Pode me buscar na faculdade? Preciso falar com você.”
Depois de pensar e pensar bastante, enviei a mensagem no meio da aula. E, ainda sem prestar atenção, aguardei a resposta, que não tardou.
“Tudo bem. Algum problema? Você está bem?”
Suspirei, me perguntando se respondia ou não, se adiantava ou não.
“Estou bem, acho. Só preciso falar sobre algo que está me preocupando. Estou no meio da aula, falamos depois.”
Enviei e finalmente prestei atenção na explicação do homem à minha frente. Eu precisava. Não posso deixar de me dedicar aos estudos e correr o risco de não conseguir bons resultados.