09/04/2020
O PODER DO NÃO
Não dizer "não" na hora certa pode levar a danos difíceis de se reparar.
Subiu para 17 o número de casos de infecção por Coronavírus. Isto quer dizer que caminhamos, a passos largos, para o “Lockdown”, o tal referido e temível nível quatro. E mesmo assim, o Governo afrouxou algumas medidas na operacionalização do decreto sobre o Estado de Emergência. O relaxamento foi introduzido nas medidas sobre o sector dos transportes públicos.
Com as novas emendas, o Governo recua na imposição do limite de 1/3 para os transportes públicos e semi-colectivo de passageiros, passando a permitir que circulem obedecendo o limite da lotação de cada viatura.
As emendas recuam também na questão dos moto-táxi e táxi por via da bicicleta que voltam a ser permitidos a funcionar, mediante o uso de máscaras de protecção.
Ainda na senda das decisões saídas da sexta sessão extraordinária, o executivo aprovou a obrigatoriedade do uso de máscaras de protecção em todos os transportes públicos e nos aglomerados sociais.
Esse Governo está cansado de saber que o Coronavírus não só se transmite por via de gotículas, tosse ou espirro da pessoa infectada. As nossas mãos são o principal problema. E no “chapa” ou “My Love” todos nos tocamos, abraçamo-nos. Num carro apinhado é inevitável isso!
Por outro lado, essa questão de obrigatoriedade de uso de máscara não foi bem pensada. Não se pode obrigar o povo a usar máscaras quando o mesmo Governo não as disponibiliza. Onde é que estão as máscaras? E se o povo disser que não usa máscaras porque não as tem o que vai acontecer? Estamos a brincar muito mal. Muito mal! E quem vai estar lá para controlar se todos usam máscaras ou não?
Temos, sim, pena dos “chapeiros” e demais pessoas que ganham a vida desarascando. Mas quem vai desarascar se a doença, cuja sabemos que não temos capacidade nenhuma de enfrentar, se alastrar?
Ademais: muitos deixam se fiar nessa coisa de que só temos 17 casos de infecção. Moçambique, até agora, só testou 467 indivíduos. Isto é um casamento. Nós somos mais de 28 milhões de pessoas. E no dia que testar 10 mil quantos casos teremos? Meus senhores, somos fracos. Muito fracos. A nossa saída ainda é a prevenção.
Se atendermos cada grupo que reclama porque o seu ganha-pão está ameaçado devido às medidas do Estado de Emergência, amanhã iremos aceitar que as barracas funcionem como sabem. Haverá bêbados em todo o lado.
É verdade irrefutável que com as medidas do Estado de Emergência muitos saiem prejudicados. Mas a pergunta é: o que preferimos? O que é mais importante: a vida ou a barraca aberta? O Governo, mas é, é que devia ter arranjado meios de apoiar as pessoas enquanto estiverem em casa. Agora isso de afrouxar algumas medidas demonstra incompetência.
(Casos mal parados)