08/04/2026
Você já viveu a sensação de que, quando a gente imigra, precisa segurar a própria identidade com as duas mãos? 🌎
Quando me tornei mãe, decidi que queria muito que meus filhos tivessem o meu sobrenome brasileiro. Eu era recém chegada, ainda estava me encontrando e tinha um medo silencioso de me perder no caminho, de virar “alguém tentando se adaptar”. Colocar o meu sobrenome neles, naquele momento, era quase uma forma de dizer para mim mesma: “eu ainda sou eu”.
Só que o tempo passa, as crianças crescem e a vida vai mostrando coisas que a gente não enxerga no começo. E eu vi que não estava certo, não só por uma questão prática, mas também profunda: faltava a parte do pai na história deles. E claro que eu não queria que a trajetória deles ficasse “incompleta” em um detalhe que, na verdade, carrega muito significado.
Na época, ter sobrenome duplo (do pai e da mãe) não era permitido na Holanda. Então a gente fez todo o processo pelo Brasil e, com a documentação pronta, enviamos uma carta para a então rainha da Holanda solicitando a alteração. Sim, uma carta para a rainha! Pagamos a taxa e recebemos a resposta dela com a aprovação 👑
Hoje, os nomes deles carregam um pedaço de ambos pais e dos dois países. E isso me deixa em paz, porque cheguei a conclusão de que, às vezes, um papel não é só um papel. É um registro da sua história, de onde vem e do futuro que você está construindo.
E meus filhos são fruto dessa mistura entre Brasil e Holanda - no nome também 🇧🇷🇳🇱
E você, já passou por alguma decisão “burocrática” que, no fundo, mexia com identidade, pertencimento e raizes? Me conta aqui também ⬇️