26/04/2026
“Olhai os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam, e nem Salomão, em toda sua glória, se vestiu como um deles.” - Mateus 6
Jesus Cristo aponta para uma verdade profunda: a vida não se sustenta apenas pelo esforço humano, mas por uma graça que a antecede. Os lírios florescem porque recebem — luz, água, terra — e, ainda assim, expressam uma beleza que nem o poder ou a riqueza conseguem produzir.
Quando ampliamos o olhar, percebemos que essa lógica está em tudo. Nenhum ser existe por si só. O ser humano, a árvore, o peixe, até um grão de areia, tudo depende de algo além de si para existir. A própria vida se revela como um dom recebido, um fluxo contínuo de sustento que nos alcança antes mesmo de qualquer mérito. Existir, portanto, é antes de tudo receber.
Mas a dinâmica da vida não para no recebimento. Há também o transbordamento. Assim como uma árvore cresce e oferece seus frutos sem os consumir, também nós somos chamados a participar desse ciclo: acolher o que nos é dado e transformar isso em doação. Nesse sentido, a criação inteira parece refletir um movimento de comunhão, algo que Santo Agostinho buscava reconhecer ao enxergar na natureza vestígios do mistério divino. 🙏