Arqa Arqueologia E Património

Arqa Arqueologia E Património Página da ARQA - Associação de Arqueologia e Protecção do Património da Amadora

Constituída em 1988, a ARQA - Associação de Arqueologia e Protecção do Património da Amadora, surgiu no âmbito de
uma tradição de investigação arqueológica local que remonta à década de 60 e que teve desde sempre como objectivos
principais o conhecimento, a preservação e a valorização do património arqueológico do Município da Amadora.

31/05/2026

O sítio arqueológico das Baútas constitui o melhor exemplo de um povoado de cumeada no território da Amadora, com uma cronologia de ocupação que vai do Neolítico à Idade do Ferro. A existência de um lapiás calcário de grandes dimensões favorecia a defesa natural deste espaço. No entanto, o local seria largamente alterado pela ação destrutiva de uma pedreira em meados do século XX.
O sítio foi descoberto e sondado em 1970 por José Arnaud e Teresa Gamito. Posteriormente (1989 e 1990) foram efetuados trabalhos arqueológicos pela CMA com a colaboração da ARQA. Nestes últimos trabalhos foram identificados diversos estratos arqueológicos, nomeadamente uma camada do período Calcolítico, com grande abundância de materiais, colocada sob a forma de aterros em consequência da limpeza dos terrenos para extração de pedra, um nível da Idade do Ferro com uma ocupação selada por derrubes de estrutura (muro) e seu abandono, e por fim, uma camada de intrusão nos interstícios do lapiás com escasso materiais arqueológicos, e que remonta ao Neolítico. Associado à ocupação da Idade do Ferro foi posto a descoberto o referido muro, construído em pedra vã calcária, assente sobre a rocha base, cujo interior era regularizado por lajetas também em calcário.

No que diz respeito ao materiais arqueológicos, foram recolhidos abundantes elementos líticos em sílex, nomeadamente do período Calcolítico, sendo igualmente deste período o espólio cerâmico mais representativo, com fundos comuns baseado na esfera (taças em calote e esféricos).
Nas cerâmicas da Idade do Ferro sobressaem as ânforas tipo Ibero-púnico, sendo as cerâmicas cinzentas finas mais escassas, tendo estas na sua maioria a forma de taças e pratos.

De referir que em 1982, foi oferecida ao GAPROPA (grupo que iria dar origem à ARQA), por um antigo trabalhador da pedreira, uma alabarda em cobre arsenical tipo "Atlântico", bem como uma lâmina de faca espatulada, igualmente em cobre arsenical, ambas integráveis na Idade do Bronze. Contudo, não foram identificados nas intervenções efetuadas materiais desta cronologia, pelo que a ter existido ocupação neste período, os seus vestígios poderão ter sido destruídos pela ação da pedreira.

Mais informação em: https://arqaassociacao.blogspot.com/2023/01/bautas-povoado.html

24/05/2026

Em 1979 foram recolhidos diversos vestígios do período romano, durante trabalhos de prospecção realizados na freguesia da Falagueira, que apontavam para a descoberta de um sítio de singular importância. Em 1980 e 1981 realizaram-se trabalhos arqueológicos que comprovaram a existência de uma "villa" romana no lugar da “Quinta da Bolacha”.

Os primeiros achados deram conta de um tanque revestido a "opus signinum" (material composto por cal, areia e cerâmica moída) e uma canalização em chumbo. Devido ao vandalismo a que foi alvo por parte da população local, este local foi tapado, e os trabalhos de escavação interrompidos.

Em 1997 retomaram-se os trabalhos, tendo-se realizado desde essa data diversas campanhas de escavação arqueológica. Na zona até agora escavada, foi posto a descoberto uma parte da área habitacional, correspondendo à cozinha. Construída no século III d.C, esta parte da habitação, numa primeira fase, seria constituída por vários compartimentos reservados às actividades do quotidiano e alguns deles apresentariam pavimentos de mosaicos e paredes revestidas com estuque pintado. Foram reolhidos no local diversos artefactos, desde fragmentos de tijoleiras, cerâmicas finas, utensílios em bronze e diversas moedas.

A "villa" terá sofrido diversas remodelações até ao início do século VI d.C., quando foi abandonada. Estaria vocacionada para a agricultura e/ou pastorícia, podendo igualmente explorar um pequeno filão de calcedónia que existe nos moinhos da Galega.

A necrópole desta "villa" situava-se no sítio do “Moinho do Castelinho”, local onde intervenções arqueológicas recentes colocaram a descoberto diversas sepulturas. Pensa-se que a aldeia da Falagueira tenha sido construída sobre as ruínas desta "villa" romana, tendo inclusive fornecido materiais para a construção da aldeia.

Mais informação: https://arqaassociacao.blogspot.com/2021/08/villa-romana-da-quinta-da-bolacha.html

17/05/2026
No próximo sábado!
10/05/2026

No próximo sábado!

04/05/2026

A Necrópole de Carenque é constituída por três sepulcros colectivos escavados nos afloramentos calcários do Tojal de Vila Chã, entre Carenque e os Moinhos da Funcheira. Estes sepulcros, genericamente designados Grutas Artificiais por terem sido escavados na rocha, integram-se numa tradição cultural-funerária mediterrânica, mas evidenciam também características próprias numa região que coincide, grosso modo, com o Estuário do Tejo.
Dando de alguma forma, continuidade à morfologia das antas, as Grutas Artificiais apresentam uma arquitectura característica: têm acesso por um corredor, em regra voltado a nascente, que comunica com uma câmara funerária através de um pequeno portal de formas arredondadas. Tanto o corredor como esta clarabóia estavam cobertos por lajes de calcário, fechando a estrutura ao exterior.
A construção e as primeiras deposições de cadáveres que ali estão testemunhados remontam ao final do Neolítico (4º milénio a.C.), altura em que se vivia já na região uma economia de base agro-pastoril, evoluída sob o ponto de vista das tecnologias de produção pré-históricas. O espólio é constituído por algumas ossadas de indivíduos representativos dos tipos humanos que habitavam então o Sul da Estremadura. Eram maioritariamente adultos e jovens, gráceis e de pequena estatura.
Recolheram-se também cerâmicas, assim como materiais líticos e metálicos de carácter utilitário que dão acesso ao conhecimento das formas económicas e da tecnologia de que dispunham os construtores da Necrópole de Carenque. Um importante grupo é o dos materiais votivos que acompanhavam os mortos no ritual funerário, que põe em evidência uma vida simbólica de inspiração agrária muito rica. Os mais frequentes são ídolos, em regra talhados em calcário que variam desde os cilindros lisos ou decorados, às representações de utensílios como a enxó. Mas também foram recolhidas placas de xisto e lúnulas (crescentes lunares) em calcário, ambas com orifícios para suspensão.
Foram descobertas e escavadas por Manuel Heleno em 1932. Estão classificadas como Monumento Nacional (Decreto n.º 26 235 de 20/01/1936).

Todos os anos a ARQA, em colaboração com o Museu Municipal de Arqueologia, tem realizado uma recriação histórica no local, por intermédio do "Clã de Carenque".

Coordenadas: 38°46'24.61"N 9°14'37.41"W

Para saber mais:
https://arqaassociacao.blogspot.com/2020/11/necropole-de-carenque.html

27/03/2026

Tratou-se da primeira viagem aérea às colónias de portuguesas em África, com objetivo de reconhecer esta potencial rota aérea e reafirmar a soberania portuguesa à época nas colónias, tendo o avião partido do antigo aeródromo do Grupo de Esquadrilhas de Aviação República na Amadora.
O aeroplano utilizado para esta epopeia foi um Breguet Br-14 A2, que foi batizado de “Santa Filomena”, sendo a tripulação constituída por Pinheiro Correia, Sérgio Silva e o mecânico Manuel António, este último um dos pioneiros da aviação portuguesa, que sempre residiu na Amadora.
Realizou-se uma primeira descolagem a 7 de março, mas no decorrer dessa primeira etapa, o avião acabou por fazer uma aterragem forçada no Algarve, devido ao nevoeiro. Danificado, o aparelho não pode continuar e teve de regressar à Amadora para reparações.
Assim, foi a 27 março de 1925 que o “Santa Filomena” largou voo da Amadora para concretizar a viagem até Bolama, tendo chegado ainda nesse mesmo dia a Casablanca. No entanto, esta etapa inaugural seria marcada por um trágico acidente, de um avião que escoltava o “Santa Filomena” na parte inicial do voo, que veio a despenhar-se em Barcarena devido a uma falha no motor. Neste acidente faleceram os tenentes José Carlos Piçarra e Luís Baptista Caldas e ainda o jornalista de O Século, Mário Graça.
Nesta viagem à Guiné percorreu-se uma distância de 4600 quilómetros, com várias etapas e foi realizada em cerca de 32 horas, tendo o avião chegado a Bolama a 2 de Abril de 1925.

Para mais informação: https://arqaassociacao.blogspot.com/2021/05/voo-amadora-guine-bolama_28.html

Endereço

Rua Drive Azevedo Neves/Moinho, (entre O N° 37 E O N° 39)
Amadora
2700AMADORA

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