04/09/2026
Quase todas as fábricas têm um sistema de recolha de ideias.
Quase nenhuma sabe se ele está vivo.
A pergunta habitual é "quantas ideias recebemos este ano?". É a pergunta errada. Uma caixa pode receber cem sugestões e estar completamente morta, se nenhuma delas tiver resposta.
Numa conversa recente aqui, a Paula Finisterra apontou os indicadores que realmente importam. Vale a pena deixá-los escritos.
Percentagem avaliada dentro do prazo. Das ideias que entraram, quantas foram analisadas no tempo que a empresa prometeu? Se não há prazo definido, não há sistema — há uma caixa.
Tempo até à decisão. Quantos dias passam entre alguém submeter e receber uma resposta. Duas semanas mantém a confiança. Três meses ensina que não vale a pena.
Taxa de fecho. Das ideias avaliadas, quantas chegaram a uma conclusão — implementada, adaptada ou recusada com explicação. Ideias em suspenso indefinido são piores do que ideias recusadas.
Impacto gerado. O que mudou de facto. Sem isto, os outros três são burocracia bem organizada.
E há uma coisa contraintuitiva que vale a pena reter: um não bem fundamentado preserva mais confiança do que um sim que nunca chega a ser executado.
Quem recebe uma recusa explicada percebe os critérios e volta a submeter melhor. Quem recebe um sim que morre no papel aprende que a decisão não signif**a nada.
Se quiser saber se o sistema da sua empresa está vivo, não conte ideias. Conte respostas.