17/05/2026
Há dez anos, a AM Studio ainda não se chamava AM Studio.
Já foi The Unicorn Factory, foi Ana Mota Atelier. Mudou de nome, mudou de forma, mas nunca perdeu aquilo que sempre esteve no centro: a criação de artigos diferenciados.
Sejamos honestos, como sempre, há dez anos, quase tudo o que existia era aborrecido. As redes sociais ainda estavam no início e a personalização vivia muito agarrada ao excesso. Demasiadas cores, demasiados padrões, demasiada informação visual.
Comecei pela personalização de t-shirts e pela criação de designs simples, quase sempre com pouca cor, mas com uma ideia muito clara que uma peça personalizada não precisava de ser óbvia, ruidosa ou visualmente previsível para ter impacto.
Dez anos depois, continuo aqui.
Perguntam-me muitas vezes como se faz. Não é apenas trabalho árduo. Tem que imperar o método, muito método. Consistência, leitura de mercado, capacidade de adaptação e uma atenção obsessiva ao comportamento do cliente.
Já tentei a loja online. Tentei tornar tudo mais automático, mais rápido, mas percebi que os meus clientes gostam de ser atendidos um a um.
Gostam de falar, explicar, escolher, pedir opinião, ajustar detalhes. Gostam de sentir que, do outro lado, não está apenas uma loja com respostas automáticas, mas alguém que interpreta a intenção.
Por isso, a AM Studio cresceu assim, pela proximidade, pela conversa, pela confiança.
A partir de junho, começa uma nova fase.
Vêm aí novidades, novos artigos, novas coleções, novos sítios onde estaremos presencialmente e novos eventos em que vamos participar e mudaremos tudo. Sem medos.
O cliente muda depressa, as necessidades mudam e outras aparecem porque alguém as identifica e cria antes de toda a gente perceber que elas existiam.
E é isso que me interessa, estar à frente, observar, interpretar. Ler sinais, perceber comportamentos, antecipar movimentos, criar antes de ser evidente.
Talvez isso venha também do meu lado de autora. Do olhar que fui treinando com O Unicórnio no Campo, de que sou autora, do gosto pela palavra, pela ironia, pela estética e pela identidade. No ano passado escrevi um livro e percebi ainda melhor que criar uma marca e escrever uma história têm muito em comum: é preciso voz, coerência, método.
A minha formação em comunicação, storytelling e vendas também faz parte deste caminho como ferramenta de trabalho. Antes da AM Studio, fui jornalista, fui empresária, fiz atendimento premium e ajudei outras marcas a entrar no digital. Fiz rádio, dei aulas, organizei desfiles de moda, sessões fotográficas, fiz correção de obras literárias, fiz assessoria de imprensa.
Saber contar uma marca, perceber o cliente, construir uma mensagem, criar desejo e transformar uma ideia numa presença com sentido é o que me dá ganas.
E, em breve, essa experiência vai começar a ganhar outra forma, porque há conhecimento que não serve apenas para aplicar dentro da AM Studio, também serve para ser partilhado com outras pessoas, marcas e equipas que querem comunicar melhor, vender com mais clareza e construir uma identidade mais forte.
A AM Studio é tudo isso.
Não é apenas uma marca que cria tote bags giras, é um estúdio criativo onde também trabalho identidade visual de outras marcas, lojas online, assessoria digital, criação de conteúdos digitais, branding, comunicação visual e merchandising para marcas, empresas, instituições e projetos.
Grande parte do que produzo nem chega a ser publicado. Trabalho para câmaras municipais, juntas de freguesia, pequenas empresas, grandes empresas, particulares e projetos muito diferentes entre si. Muitas vezes, o trabalho mais sólido é precisamente aquele que não aparece por aqui. O que se vê é apenas uma parte.
Sou também criadora, com o meu marido, da Lusitani, uma marca dedicada ao mundo equestre, com uma presença muito própria, discreta e seletiva. A Lusitani está apenas em três eventos anuais e não tem redes sociais. Existe noutro ritmo, noutra lógica, com outra linguagem.
Adoro a AM Studio.
É a minha marca, mas é também e acima de tudo, um estúdio criativo.
Em breve, abrir-se-á a novas matérias, novos produtos, workshops, formações e outras formas de transformar experiência em conhecimento partilhado a outros.
Não serão sessões motivacionais nem discursos de autoajuda que não acredito que se mandarmos pedidos ao universo ele nos devolva encomendas, clientes e faturação por correio registado. Acredito em método, comunicação, posicionamento, trabalho, leitura, detalhe e coragem para executar.
Talvez seja esse o verdadeiro segredo que me mantém no digital há dez anos: continuar a gostar profundamente do que faço, mas nunca ficar parada.
Não me reinvento, não acredito muito nesse termo. Simplesmente avanço para aquilo em que acredito, para aquilo que sei fazer e para aquilo que ainda posso construir.
O melhor ainda vem aí, de certezinha absoluta.
:)
Até já,
Ana Mota
O Unicórnio no campo Filipe Guia