18/05/2025
Carta Aberta ao Rodrigo
Filho,
Hoje escrevo-te sem saber quando vais ler estas palavras. Talvez quando fores adolescente e começares a questionar tudo, como eu fiz. Ou talvez um dia, quando também fores pai, e sentires o peso de querer dar o melhor, mesmo sem ter todas as respostas.
Durante anos acreditei num Estado forte, que garantisse saúde, educação, habitação e justiça. Defendi-o com convicção.
Mas os anos passaram. Tu nasceste. E com isso, nasceu em mim uma nova forma de ver o mundo.
Hoje tens seguro de saúde, não por luxo, mas porque os hospitais não tem os profissionais que precisam para dar resposta. Olho para as escolas públicas e não sei se te quero confiar a uma, pelo menos aqui onde vivemos. A habitação torna-se cada vez mais inacessível, como será quando chegar a tua vez? A justiça é lenta, confusa, e muitas vezes injusta. E no meio disto tudo, pago impostos. Muitos. E pergunto-me:
É este o país que te vai dar condições para crescer?
Talvez já não me identifique com os rótulos que defendia aos 15. Mas não me envergonho disso. Cresci. E aprendi que há mais valor na dúvida honesta do que na certeza cega.
Hoje quero um Estado que funcione.
Liberdade com responsabilidade.
Oportunidades para quem se esforça.
Proteção para quem precisa, sempre — mas sem premiar a mediocridade.
E acima de tudo: quero que cresças num país onde possas sonhar, errar e levantar-te.
Com dignidade. Com espaço para seres tu mesmo.
E quando tiveres idade para isso, filho, vota.
Mesmo que não saibas em quem. Vota com consciência. Não deixes que os outros decidam por ti. Porque votar é proteger o teu futuro, seja qual for a tua visão do mundo.
Podemos nem sempre ter todas as certezas… Mas sei bem quem quero ser como pai:
Alguém que tentou deixar-te um país melhor do que encontrou.
Com amor,
O teu pai,
Daniel