21/03/2020
O Covid 19 e o contabilista.
Colegas a nossa profissão é a mais ingrata do mundo. Neste momento, mesmo que não queiramos, estamos a fazer voluntariado. Muito poucos (para não dizer nenhum) será pago pelos trabalho que tem tido. Como já disse em outras vezes, somos os primeiros a ser solicitados e os últimos a ser pagos.
A maior parte dos nossos clientes veêm-nos como uma espécie de antibiótico para todas as situações. Curiosamente, raras são as vezes que nos ligam para saber o que a Contabilidade nos diz sobre a empresa, mas ligam-nos para saber como se consegue aquela licença, ou se podemos apresentar o plano de segurança da empresa, etc. Enfim somos uma espécie de Wikipédia.
Com esta situação do covid, a maior parte de nós está a receber telefonemas a toda a hora, por parte dos clientes, para informar sobre tudo e mais alguma coisa: que apoios existem, como se obtém, o que fazer?
Custa- me sinceramente dizer que absolutamente nada do que foi decretado irá ajudar os microempresários( com empresas até 10 trabalhadores) senão vejamos:
Linhas de crédito de apoio às tesouraria: os bancos já estão apresentar propostas com taxas de 3,5%. Como poderá uma empresa pagar um empréstimo de, por exemplo, 50,000 euros, tendo um ano de carência. Será que depois da pandemia ele vai faturar como se não houvesse amanhã?
Mais, será que ele vai recorrer só para manter os postos de trabalho?
Layoff simplificado (caricato): como é que uma empresa completamente fechada, sem faturação, sem receitas irá pagar 30% do valor estipulado?
Escolas fechadas: porque razão as empresas terão que aguentar com 50% do encargo estipulado, sem que o trabalhador produza? Não existia já na lei a baixa para apoio a menor? Apenas se teria que fazer um aditamento à lei e permitir que este apoio não fosse exclusivamente para casos de doença.
E porque razão tem que ser a pagar tudo e esperar que a Seg. Social reembolse? E quando vai reembolsar? Quando a empresa já não existir?
Nada disto serve, nada disto salvará empresas nem postos de trabalho.
Aquilo que me revolta é que quando os bancos têm falta de liquidez, somos todos chamados a dar dinheiro. O BCE em 2008 injetou(deu) aos bancos 95 mil milhões de euros.
Neste caso, as empresas e as pessoas recebem, uma mão cheia de nada.
Daqui a dois meses teremos que ter um regime de falências simplificado. E o nosso trabalho, empenhado e dedicado de nada valerá.
Espero que António Costa e o Cristiano Ronaldo das finanças demonstrem que são os salvadores da pátria, como tanto têm apregoado.
Mas como sempre, o deles está assegurado, e o povo que se amanhe.