31/07/2026
ALMANAQUE DA ALDEIA
Melão, melancia e meloa
Dia 28 de junho, no CIIPC na aldeia de Santa Rita, deu-se continuidade ao Almanaque da Aldeia, este mês com partilha de usos, saberes e sabores em torno do melão, melancia e meloa, 3 frutas que são para muitos símbolos do verão, tão apreciadas pela sua frescura e doçura nos dias mais quentes.
Amigos e vizinhos de Santa Rita e de outras localidades da freguesia de Vila Nova de Cacela, trouxeram melões, meloas e melancias e em conjunto partilhámos receitas, cozinhámos e degustámos, num almoço coletivo, pratos diversos com estes frutos (melão com presunto, salada de melancia, doce de melão,…) mas também outros, que proporcionaram momentos de alegre convívio.
O melão, a meloa e a melancia fazem parte da mesma família botânica, as Cucurbitáceas, onde também encontramos a abóbora, o pepino e a curgete. O melão e a meloa pertencem à mesma espécie (Cucumis melo), enquanto a melancia é de um género diferente, mas partilha as mesmas características: plantas rasteiras e frutos ricos em água, ideais para os dias quentes.
A melancia é cultivada há milhares de anos. Existem vestígios da sua presença na Líbia com cerca de 5.000 anos e, no Antigo Egito já era representada em pinturas e túmulos. Gregos e romanos apreciavam-na pelas suas propriedades refrescantes e até medicinais.
Em Portugal, estes frutos fazem parte das memórias de verão de muitas gerações. Eram semeados em fevereiro (a partir das sementes separadas dos frutos mais doces da época anterior) e só chegavam à mesa em pleno verão, depois de meses de cuidados. Havia que manter a rega e capar os melões retirando alguns rebentos para que os outros pudessem crescer e frutificar. A chegada dos primeiros melões e melancias era motivo de entusiasmo: pesavam-se, apalpavam-se e procuravam-se sinais de que estavam no ponto certo.
Entre as variedades tradicionais de melão destacam-se o Branco de Almeirim, o Casca de Carvalho, o Lagarto, o Carrasco e o Amarelo. Na melancia, as mais conhecidas são a preta e a riscada.
Também existem muitos costumes populares ligados a estes frutos: bater na casca da melancia para perceber se está madura; abrir uma pequena "tampa" para confirmar se está bem vermelha; apalpar a extremidade do melão para avaliar o seu grau de maturação; antes dos frigoríficos, era comum refrescar a melancia na água do poço ou da fonte; o tradicional melão com presunto continua a ser uma das combinações mais apreciadas do verão.
A tradição popular também lhes dedicou adivinhas, como estas:
"Verde por fora, encarnado por dentro e com mulatinhas no centro."; "Qual é a coisa, qual é ela, que tem capa verde, e o coração vermelho?” (Melancia)
“Letras me puseram, que nunca se lêem; diz que me calasse, eu nunca falei; logo que me calaram meus dias acabei.” (Melão, remetendo para as “letras” na casca que não se lêem)
São frutos que continuam a fazer parte da nossa cultura, da gastronomia e das melhores recordações dos dias quentes de verão.
O próximo encontro do Almanaque da Aldeia será em torno dos figos e ficou marcado para 22 de setembro.