28/05/2026
ALMANAQUE DA ALDEIA
Caracóis (receitas, tradição oral e curiosidades)
Ontem, dia 28 de Maio, no CIIPC deu-se continuidade ao Almanaque da Aldeia, este mês com partilha de usos e saberes em torno dos caracóis. O que pesa mais quando pensamos em caracóis: o perigo que representam para as culturas da horta, o facto de serem um petisco apreciado por tantos, ou os aspectos curiosos deste bichinho?
Para quem tem horta os caracóis podem ser uma ameaça que custa a combater. Para tal havia que usasse sal, cal ou cascas de ovo em torno das plantas.
Mas a verdade é que, a partir de finais de Abril e até ao São João (há quem diga que nos meses sem r), os caracóis se tornam num petisco muito apetecido e é comum em manhãs com humidade vermos as pessoas no campo nas bermas dos caminhos a apanhá-los.
E Maio é o mês dos caracóis, sendo tradição no Algarve celebrar o 1º dia com piqueniques colectivos no campo em que os caracóis são o prato principal. Aqui comiam-se com os bicos das pitas, para os tirar da co**ha. Mas não são petisco que se cozinhe com pressas. O processo de lavagem pode demorar vários dias e envolver muitas águas (12 dizem alguns). Só depois se cozem na panela em lume muito brando para começarem a sair e depois então se juntam os temperos: sal, alho, cebola, com as respectivas ramas, louro, orégãos, malagueta, casca de laranja. Há ainda quem acescente poejos ou tomilho. O comer é sempre um acto de partilha e convivialidade.
Houve ontem ainda tempo para recordar expressões orais: "A passo de caracol”; "Caracol onde nasce, pasce"; "Cada caracol na sua conchinha"; “Não valer um caracol” ou a famosa lengalenga popular, quando se procura que saia da co**ha "Caracol, caracol, põe os pauzinhos (ou corninhos) ao sol".
E não ficaram esquecidas as adivinhas populares:
“Não me podem pôr na rua,
vento ou frio não me importa,
moro em casa sem janelas,
nunca passo além da porta.”
ou
“Faça sol ou faça frio,
Ele tem sempre onde morar.
Veio ao mundo senhorio,
Mas como o pai e o tio,
Não pode a casa alugar.”
E sabiam que antigamente com as cascas de caracol, entre uma cana aberta, se acendiam com azeite pequenas lamparinas para alumiar as casas? Fizemos ontem a experiência.
E porque os caracóis são criaturas fascinantes (levam a casa às costas, andam sem pernas,…), partilharam-se algumas curiosidades: Pertencem ao grupo dos moluscos terrestres que se protegem dentro de uma co**ha (gastrópodes). A co**ha do caracol é a sua casa, serve para se esconder mas contém também o seu pequeno corpo com coração, pulmão, fígado, rim e um cérebro. Os caracóis não têm pés. São animais invertebrados que possuem um conjunto de músculos ao longo do corpo que se contraem e distendem, fazendo-os andar para a frente. Produz uma substância gomosa para facilitar a deslocação O caracol não ouve, mas possui quatro antenas: duas com olhos e duas com sensores que o ajudam a orientar-se no ambiente que o rodeia.
O nosso agradecimento a todos os que aqui se juntaram, partilharam os seus saberes e trouxeram caracóis (e ouros petiscos e doces) para degustar. Estavam maravilhosos!
No próximo dia 23 de Junho vamos conversar sobre tomates e provar algumas receitas.