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Hoje não quero “homenagear”.Talvez agradecer seja mais o que quero. Talvez  até haja uma outra palavra mais justa, mais ...
28/05/2026

Hoje não quero “homenagear”.
Talvez agradecer seja mais o que quero. Talvez até haja uma outra palavra mais justa, mais humana, menos pedestal e mais caminho lado a lado.
Tenho o privilégio de acompanhar duas mulheres que recentemente concluíram uma maratona. Os míticos 42 quilómetros. Mas, honestamente, o mais impressionante nunca foi a distância.
Neste tempo em que treinámos, conversámos, ajustámos comportamentos e rotinas, gerimos cansaços, dúvidas e expectativas, fui alternando entre o papel de professor e uma coisa mais silenciosa, o de aluno.
Porque há aprendizagens que não aparecem em livros nem em certif**ações. Aparecem na forma como alguém insiste sem fazer barulho. Na disciplina quando ninguém está a ver. Na vulnerabilidade de admitir medo, desgaste ou incerteza. Na negociação constante entre sonhos pessoais, trabalho, relações, família, descanso e todas as peças da vida que raramente f**am quietas.
E vocês fizeram isso vezes sem conta.
A maratona acabou por ser apenas a manifestação visível de algo muito maior. Porque correr 42 quilómetros não é só calçar uns ténis e avançar. É construir recursos internos. É aprender a permanecer. É descobrir como continuar mesmo quando tudo convida a parar.
E tenho a sensação de que esses recursos não vão servir apenas para uma linha de meta. Vão aparecer em muitas outras maratonas da vida.
Por isso, mais do que parabéns, f**a o meu obrigado.
Pela confiança. Pelo espaço que abriram para eu ser professor.
E também amigo.
E, sem talvez se aperceberem, por tudo aquilo que me ensinaram pelo caminho. 🏃‍♀️✨

J

06/05/2026
Missão: Redescobrir o EssencialA bordo desta nave segue uma tripulação pouco comum. Somos amigos que escolheram torcer u...
05/05/2026

Missão: Redescobrir o Essencial
A bordo desta nave segue uma tripulação pouco comum. Somos amigos que escolheram torcer uns pelos outros. Aqui não há competição nem comparações desgastantes. Há apoio, há presença e há uma espécie de energia tranquila que empurra cada um na direção certa.
O destino pode soar estranho à primeira vista. O simples. O lento. O óbvio. Aquilo que todos conhecem… mas poucos realmente vivem.
Nesta missão, há um detalhe curioso e o maior desafio não é o desconhecido, mas aquilo que julgamos já dominar. Porque o óbvio, tantas vezes, veste-se de invisibilidade. Está ali, todos os dias, mas é facilmente ignorado, subestimado, deixado para depois.
Esta tripulação decidiu fazer o contrário.
Observar o básico como se fosse novo. Tratar o corpo como um sistema vivo que comunica. Dar importância ao alimento, ao descanso, à respiração, ao movimento, à escuta. Pequenos gestos que, juntos, funcionam como coordenadas de navegação.
Não procuramos uma transformação explosiva, mas um ajuste de rota. Uma afinação fina. Como quem calibra instrumentos antes de atravessar o espaço profundo.
Swásthya 🙏🏾

Chamámos-lhe Colmeia porque nenhuma outra palavra tinha densidade suficiente.Não foi por um feito isolado.Foi pela vibra...
25/02/2026

Chamámos-lhe Colmeia porque nenhuma outra palavra tinha densidade suficiente.
Não foi por um feito isolado.
Foi pela vibração constante. Pelo labor quase invisível. Pela soma de gestos microscópicos que, alinhados, produzem matéria rara.
Uma colmeia não vive de aplauso, vive de cadência. Cada abelha transporta pólen como quem transporta futuro. Dançam para desenhar rotas no ar, traduzem luz em direção. Não há heroísmos individuais. Há intenção comum.
Vocês são assim.
À superfície, pessoas normais. No detalhe, incansáveis. Não por algo extraordinário, mas pela totalidade, pela escuta atenta, pela dúvida assumida sem armadura, pela audácia de avançar mesmo quando o cálculo não fechava. O mel que criaram não era apenas doce. Era consequência. Era transformação lenta.
Durante anos repetiram-nos que as abelhas não deviam voar. Corpo pesado, asas improváveis. A matemática parecia negar-lhes o céu. E, ainda assim, voam. Não pedem licença à teoria. Batem asas.
Também vocês....nós.
A Colmeia foi esse acordo tácito de ousadia. Fazer o que a “aerodinâmica” da vida sugeria não permitir. Arriscar quando o chão tremia. Persistir quando o vento vinha de frente. Cada um no seu trajecto, mas sempre com a bússola apontada ao mesmo centro pulsante.
Uma colmeia é arquitectura viva. Hexágonos que se encaixam como decisões que encontram sentido. Rigor sem frieza. Liberdade sem dispersão. Saber que voar longe não é abandonar, é regressar mais inteiro.
E então chega o momento em que percebemos que o que construímos não foi apenas mel. Foi vínculo. Foi coragem silenciosa. Foi a prova de que o impossível, tantas vezes, é apenas uma conta mal resolvida.
Chamámos-lhe Colmeia porque juntos descobrimos que quando o vôo é partilhado, o céu alarga.
J..

Andamos à procura da passagem, não de aeroporto nem de fronteira, mas daquela fenda invisível no muro do hábito, da esco...
21/02/2026

Andamos à procura da passagem, não de aeroporto nem de fronteira, mas daquela fenda invisível no muro do hábito, da escotilha secreta entre o que somos ou achamos que somos e o que pressentimos ou intuimos. Queremos um salto de consciência que nos leve do piso térreo da percepção fragmentada, das dúvidas que mastigamos, do esforço que nos pesa e das festas que nos distraem, para uma plataforma mais alta, onde o olhar se alonga e tudo respira em conjunto. Buscamos essa travessia íntima, quase alquímica, que transforma o ruído em silêncio germinal e nos eleve a uma comunhão mais vasta, como se o universo deixasse de ser cenário e passasse a ser conversa.
J..

Sobre o "tal" consentimento.Há uma palavra que costuma ser tratada como assinatura num papel, como um “sim” lançado ao a...
18/02/2026

Sobre o "tal" consentimento.
Há uma palavra que costuma ser tratada como assinatura num papel, como um “sim” lançado ao ar para satisfazer o mundo. Mas o verdadeiro consentimento não vive na superfície da língua. Ele nasce num território mais profundo, quase tectónico, onde as placas internas deixam de lutar entre si e começam a alinhar-se.
Esse consentimento não é um aplauso do ego.
Não é uma pose espiritual.
Não é uma tentativa de ser melhor do que ontem.
É uma autorização silenciosa.
Uma permissão que não pede testemunhas.
Uma rendição que não é derrota.
Uma aceitação que não é resignação.
É quando cessamos o tribunal interno. Quando suspendemos o juiz, o crítico, o editor invisível que corrige cada emoção antes mesmo de ela respirar. Sem julgamento. Sem censura. Sem ilusão sobre quem somos. Sem a arrogância de pensar que já sabemos o que a vida deveria ser.
Consentir verdadeiramente é dizer
“Sim, eu existo. Assim. Aqui. Agora.”
E nesse instante algo abre.
Não como uma explosão.
Mas como uma flor que confia na gravidade.
Quando há consentimento interno, o corpo deixa de ser campo de batalha e torna-se território fértil. A percepção expande-se porque já não está ocupada a defender-se. A lucidez nasce porque já não precisamos de mentir a nós próprios. O discernimento amadurece porque não está preso ao medo de estar errado.
É a partir desse solo que novos trajetos internos começam a desenhar-se.
Trajetos de cura, quando o corpo sente que já não precisa de endurecer para sobreviver.
Trajetos de amor, quando o coração percebe que pode pulsar sem armadura.
Trajetos de realização, quando a ação deixa de ser fuga e passa a ser expressão.
Mas também surgem caminhos menos glamorosos e igualmente sagrados.
Caminhos de resiliência.
caminhos onde o esforço não é punição, mas forja.
Porque o consentimento verdadeiro inclui o desconforto. Inclui o suor. Inclui o atrito que transforma. Ele não promete uma estrada lisa. Promete uma estrada autêntica.
E há uma beleza particular nisso. O prazer deixa de ser anestesia e torna-se colheita. O esforço deixa de ser castigo e torna-se investimento vivo. A recompensa deixa de ser troféu e torna-se confirmação de presença. (Continua)

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