02/09/2026
𝐄 𝐬𝐞 𝐨 𝐟𝐞𝐞𝐝𝐛𝐚𝐜𝐤 𝐪𝐮𝐞 𝐩𝐨𝐝𝐞 𝐬𝐚𝐥𝐯𝐚𝐫 𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞𝐬𝐚 𝐟𝐨𝐫 𝐩𝐫𝐞𝐜𝐢𝐬𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐚𝐪𝐮𝐞𝐥𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐚̃𝐨 𝐪𝐮𝐞𝐫 𝐨𝐮𝐯𝐢𝐫?
Há pouco tempo, estive envolvida com uma situação que me deixou a pensar.
Um serviço que contratei não estava a correr como deveria e, após ponderar tudo o que estava envolvido, tomei pela primeira vez a decisão de mandar parar, cancelando o serviço.
Não por impulso. Não por uma questão pessoal. Mas porque, quando percebemos que o que foi contratado não irá ser entregue conforme esperado, nem com a qualidade técnica necessária, continuar só para “não ficar mal” raramente é uma boa decisão.
Quis então falar com o empresário, para explicar os motivos da minha posição, e perceber que alternativa existiria, mas não tive oportunidade.
A resposta foi, mais ou menos esta: "Não precisa explicar nada. É uma questão de perspectiva. Aceito o fim do serviço."
Confesso que fiquei surpreendida com o facto de não me ter deixado partilhar a minha versão e pela ausência de curiosidade.
Podemos discordar do feedback, achar que a outra pessoa está errada, ter uma perspectiva completamente diferente, mas 𝐨𝐮𝐯𝐢𝐫 𝐧𝐚̃𝐨 𝐧𝐨𝐬 𝐨𝐛𝐫𝐢𝐠𝐚 𝐚 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐨𝐫𝐝𝐚𝐫. 𝐎𝐮𝐯𝐢𝐫 𝐝𝐚́-𝐧𝐨𝐬 𝐢𝐧𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨. E quando temos uma empresa, essa informação pode valer muito.
Um cliente insatisfeito pode estar a revelar uma falha no processo.
Um fornecedor pode estar a mostrar-nos um problema na comunicação.
Um colaborador pode estar a apontar uma fragilidade na liderança.
Um parceiro pode estar a identificar uma expectativa que nunca ficou devidamente alinhada.
Podemos ignorar tudo isto. Ou podemos perguntar: “O que é que eu ainda não estou a ver?”
É aqui que, para mim, está uma das diferenças entre uma empresa que apenas reage aos problemas e uma empresa que aprende com eles. Porque preservar a imagem da empresa não é evitar ouvir críticas. É ter maturidade para as ouvir antes que se transformem em reputação.
No meu caso, mesmo não tendo conseguido ter essa conversa, fiz questão de enviar uma exposição por escrito. Não para convencer ninguém de que tinha razão, mas para deixar registado aquilo que, do meu ponto de vista, tinha acontecido e aquilo que poderia ser melhorado. Depois, cada um fará com essa informação aquilo que entender.
Sabemos que 𝐧𝐚̃𝐨 𝐩𝐨𝐝𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐨𝐛𝐫𝐢𝐠𝐚𝐫 𝐧𝐢𝐧𝐠𝐮𝐞́𝐦 𝐚 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫 𝐜𝐨𝐦 𝐮𝐦 𝐟𝐞𝐞𝐝𝐛𝐚𝐜𝐤, mas podemos a nossa parte, que é garantir que o feedback foi dado. O resto já é uma escolha.
Lembram-se da história da avestruz? Foi a imagem que ficou.
Quando há um problema, meter a cabeça na areia pode dar a sensação de que ele desapareceu. Só que o problema continua lá. E numa empresa, aquilo que não queremos ver hoje pode muito bem ser aquilo que nos vai custar caro amanhã.
A pergunta que deixo aos empresários é simples:
𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐫𝐞𝐜𝐞𝐛𝐞 𝐮𝐦 𝐟𝐞𝐞𝐝𝐛𝐚𝐜𝐤 𝐝𝐢𝐟𝐢́𝐜𝐢𝐥, 𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐩𝐫𝐢𝐦𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐫𝐞𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐞́ 𝐝𝐞𝐟𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫-𝐬𝐞… 𝐨𝐮 𝐩𝐞𝐫𝐜𝐞𝐛𝐞𝐫 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐩𝐨𝐝𝐞 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫 𝐜𝐨𝐦 𝐞𝐥𝐞?
Porque, por vezes, a melhor informação para fazer crescer uma empresa vem embrulhada numa crítica que preferíamos não receber.