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17/02/2024

A TANATOGNOSE POR OBSERVAÇÃO DOS FENÔMENOS CADAVÉRICOS

A Tanatognose é a parte da Tanatologia que estuda o diagnóstico da morte por intermédio da análise dos fenômenos cadavéricos abióticos e transformativos. O presente estudo teve a finalidade de descrever sobre a determinação da morte através da observação dos fenômenos cadavéricos.

TANATOLOGIA E TANATOGNOSE

A Tanatologia Forense é o ramo das ciências forenses que, partindo do exame do local, da informação acerca das circunstâncias da morte, e considerando aos dados do exame necroscópico que procuram responder a uma série de questões.

Numa perspectiva médico-legal não é tão importante que seja determinado o momento exato da morte porque a maior parte dos casos já são verif**ados após ser pronunciada a morte clínica. Assim, nesta perspectiva pode dizer-se que a morte é a cessação total e permanente de todas as funções vitais do corpo humano. Alguns autores citam ainda que a morte não é um momento, mas sim todo um processo que se desenrola ao longo de um estipulado período de tempo.

Os calendários tanatológicos proporcionam cálculos unicamente de caráter aproximativo. No máximo, podem permitir uma aproximação em uma faixa de tempo tão segura quanto possível, de modo que insira o real momento da morte. Dessa informação pode determinar a prisão de um inocente ou a liberação de um culpado cujo álibi o coloque fora daquela estreita faixa garantida pelo competente perito. Porém deve-se ressaltar que um grande número de variáveis pode interferir, acelerando, retardando ou distorcendo o ritmo e até mesmo impedindo, natural ou artificialmente, o curso com que se processam os fenômenos cadavéricos. Como resultado, maior será a dificuldade de avaliar de maneira precisa quanto mais prolongado o período compreendido entre o óbito e o exame.

A Tanatognose é uma seção da Tanatologia Forense que estuda a determinação da morte. Esse diagnóstico é mais difícil de ser efetuado quanto mais próximo for esse momento, pois é um período anterior ao surgimento dos fenômenos transformativos no cadáver.

Existe, contudo, uma série de metodologias orientadoras desta avaliação, entre elas: fases de decomposição cadavérica, estudo da fauna necrófaga encontrada no corpo (entomologia forense), estudo das modif**ações da composição química do osso (relação entre matéria orgânica e inorgânica, por pesquisa térmica diferencial ou por análise termo-gravimétrica).

O exame tanatológico constitui-se de grande importância pericial, definindo tempo, causa e até o local da morte, utilizando-se também de características peculiares presentes no cadáver, podendo até finalizar um caso de difícil elucidação por meio da análise e exame dos arcos dentais.

A cronologia da morte é o tempo em que aparecem as várias fases por que passa o cadáver, desde o instante em que se processa a morte. O estudo da cronologia dos fenômenos envolvendo os cadáveres é denominado cronotanatognose e possibilita a estimativa do intervalo post mortem do corpo analisado.

FENOMÊNOS ABIÓTICOS

Os fenômenos cadavéricos abióticos são aqueles que se tornam evidentes logo após a morte do indivíduo, ainda antes da proliferação bacteriana e têm curta duração. São exemplos: arrefecimento corporal, aparecimento de livores de hipóstase, dessecamento tegumentar e rigidez cadavérica. Estes acontecem em todos os casos de morte e não dependem do modo como ocorreu o evento fatal.

IMEDIATOS

Os fenômenos abióticos denominados de imediatos são os fenômenos que podem insinuar a morte. Dentre eles, devemos destacar: perda de consciência; perda do tônus muscular em conjunto com imobilidade; perda total de sensibilidade; relaxamento dos esfíncteres; parada respiratória; parada cardíaca; ausência total de pulsação; fácies hipocrática.

A parada respiratória, a parada cardíaca e a ausência total de pulsação, confirmados por exames clínicos específicos (como o eletrocardiograma e ausculta cardíaca e pulmonar), são sinais práticos e incontestáveis da morte real. Na morte aparente, não acontece a ausência de respiração e batimentos cardíacos, eles somente estão imperceptíveis.

Fácies hipocrática é a mudança drástica de traços fisionômicos, vista nos estados extremamente graves e nos agônicos. Ela compreende numa expressão de palidez intensa, estreitamento labial, afilamento nasal, olhar vago, fixo e inexpressivo, extremidades do pavilhão auricular tornam-se frias e cianóticas e a face possui uma sudorese de consistência viscosa. Erroneamente chamada de cadavérica, pois não há a expressão de um semblante sereno, mas sim uma expressão de agonia e sofrimento, característica do semblante de moribundos.

CONSECUTIVOS

O resfriamento cadavérico ocorre pois não existe as reações bioquímicas de termogênese no cadáver, acontecendo de forma desigual, sendo influenciada por diversos fatores. Dentre esses fatores, podemos ressaltar a idade, o panículo adiposo, fatores ambientais, presença ou não de agasalhos no cadáver, etc. Os agasalhos constituem numa barreira protetora, que retarda a perda de calor corporal, desse modo, um cadáver totalmente desnudo resfriaria mais rapidamente do que um agasalhado. Essa perda ocorre por irradiação, por convecção e por gasto de energia térmica na evaporação cutânea.

É consenso que a temperatura corporal tem resfriamento menor nas primeiras horas após o óbito, apresentando queda mais intensa cerca de 3 horas após. Existem fatores que interferem na mudança de temperatura corpórea após a morte: o resfriamento do corpo pode ser desacelerado nas mortes decorrentes de sepse, insolação, sufocação e em cadáveres obesos, enquanto as hemorragias e as intoxicações por álcool e arsênico aceleram esse processo. Além disso, a temperatura ambiente e a quantidade de roupas que a vitima estava usando também são fatores de forte influência na modif**ação da temperatura corporal após a morte.

A desidratação pode conferir fenômenos diferenciados, dentre eles, ela pode apresentar consistência dura e pardacenta nas mucosas dos lábios e modif**ações nos globos oculares, com a formação da mancha negra da esclerótica, turvação da córnea, formação da tela viscosa e perda de tensão ocular. Deve-se atentar a cadáveres recém-nascidos e crianças, pois nesses, as modif**ações nas mucosas orais podem trazer a impressão de que as crianças foram submetidas a traumatismos ou à ação de substâncias cáusticas, devido às lesões que ocorrem.

A rigidez cadavérica é decorrente do endurecimento dos músculos em decorrência de alterações químicas que ocorrem no mioplasma, que começam a acontecer logo após a morte, mas que somente são notadas após algumas horas.

Essa rigidez cadavérica é uma característica marcante no cadáver. Ela é gerada por uma reação química de acidif**ação muscular, que desaparece quando o processo de putrefação se inicia. O rigor mortis, assim cunhado esse fenômeno, se inicia após o início da desidratação muscular que consequentemente gera a coagulação da miosina, esta por sua vez, está vinculada ao aumento do ácido lático intracelular. A rigidez, em cadáveres posicionados em decúbito dorsal, se inicia na face, região mandibular e nuca, seguindo para a musculatura do tronco e membros superiores e se finaliza nos membros inferiores. Nessa mesma sequência com que a rigidez aparece, quando começa a putrefação, ela desaparece.

A formação de hipóstases acontece por meio do depósito de sangue em regiões mais declivosas do cadáver. Elas aparecem em torno de 2 a 3 horas após a morte, com formato de estrias, ou arredondadas, que vão se juntando em placas, abrangendo extensas áreas corporais. Após um período de 8 a 12 horas, esse sangue se fixa nos órgãos internos, não ocorrendo mudança nas hipóstases mesmo com a mudança de posição do cadáver.

O aparecimento de livores de hipóstases (livor mortis) e a lividez são dois fenômenos com características distintas que ocorrem ao mesmo tempo e nunca isoladamente com uma causa em comum. Com a morte do indivíduo, naturalmente a circulação sanguínea é encerrada e assim o sangue parado no sistema tende a acumular-se nas regiões mais baixas, mais próximas do solo, devido à ação da força gravitacional. Essas regiões vão evoluir uma coloração muito intensa de tons arroxeados. Por outro lado, as regiões mais elevadas perderão o sangue e irão sofrer uma descoloração, denominada de lividez cadavérica.

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