Tudo começou, quando fui pela primeira vez ao Nordeste Transmontano, mais propriamente para uma aldeia chamada Franco, no concelho de Mirandela, acompanhada pelo homem da minha vida que sigo desde então. Depois de passar a Serra do Marão, foi-me explicado que já me encontrava na região de Trás-os-Montes e Alto Douro, achei ser uma terra muito fria pois estávamos em Dezembro; com penedos que se ele
vavam no horizonte num mar infindável de montanhas e nevoeiro, uma viagem longa mas deslumbrante. Desde logo, achei surpreendente a hospitalidade e a maneira afável como fui recebida por aquela gente. O cheiro intenso a fumo de lareira que gravei religiosamente na minha memória, tal como o som do sino que nos diz as horas, uma por uma, tudo parecia mágico! Entre inúmeras iguarias que provei, houve uma pela qual me apaixonei “ Doce de Botelha” como era conhecido o doce de abóbora por aquelas bandas. Que segundo me foi explicado, fazia parte da memória mais doce das crianças da região, “os fios dourados” que adoçavam o rigoroso Inverno Transmontano. Fiquei completamente rendida aos encantos transmontanos e fiz tudo por tudo para conseguir recriar aquela compota. Ao fim de todos estes anos a ajudar na produção deste e outros doces, compotas e marmelada, foi-me finalmente passado o testemunho pela minha querida sogra, a quem agradeço e faço aqui a minha homenagem, Clarisse Borges Mesquita de Andrade, de continuar com a herança deste saber ancestral passado de geração em geração. Hoje em dia já a residir no Nordeste Transmontano, tendo eu o privilégio de tal conhecimento e além de sentir a responsabilidade de o transmitir à minha filha, sinto, acima de tudo, a obrigação de levar até si, “o doce sabor de Trás-os-Montes.”