16/08/2026
No passado dia 14 de agosto vi uma publicação da ex-presidente da Câmara da Amadora, Carla Tavares, e fiquei a pensar se devia escrever alguma coisa ou não.
Entre 2001 e 2013, Carla Tavares foi Vice-Presidente da Câmara da Amadora. Entre 2013 e 2025 (até ser eleita deputada ao parlamento europeu), foi presidente da CM Amadora.
Nesses 24 anos nunca se ouviu a Carla Tavares uma estratégia ou uma ideia que fosse a respeito de políticas de habitação.
Agora, deputada no parlamento europeu, Carla Tavares visitou a conclusão da construção de 48 fogos no Cerrado da Mina, totalmente financiado pelo PRR.
O Concelho da Amadora foi criado em 1979, em grande medida, retirado do antigo território do Concelho de Oeiras.
Oeiras erradicou as suas barracas no inicio deste século. Perante a nova crise de habitação, o Presidente da Câmara de Oeiras tem em construção centenas de casas e anuncia que quer fazer 3000.
A Amadora, de acordo com dados públicos, necessita de mais de 6000 casas, fez 48. Fez 48 casas. Carla Tavares foi vice-presidente e depois presidente 24 anos. Nesses 24 anos a Amadora construiu 48 casas.
Será que apenas eu fico chocado com este grau de incompetência e desfaçatez? Faz esta publicação a vangloriar-se de quê? Das décadas de atraso da Amadora?
Escrevi que a Amadora saiu de Oeiras. Nesses anos Oeiras transformou-se num dos concelhos mais desenvolvidos de Portugal. Nesses anos onde está a Amadora? Nas notícias dos crimes, falta de habitação e exclusão social.
O prémio pela competência de Carla Tavares é o lugar nos parlamento europeu e, certamente, ser presidente da Federação de Lisboa do Partido - isto é, a Carla Tavares é um dos melhores quadros políticos do PS!
E o problema é que esta história não terminou com Carla Tavares. O atual presidente da Câmara da Amadora herdou o cargo, mas também escolheu manter a mesma ausência de uma verdadeira política pública de habitação.
Continuamos sem uma estratégia à altura das necessidades do concelho, sem escala, sem ambição e sem respostas para milhares de famílias. Mudar o nome de quem preside à Câmara não chega quando se mantém exatamente a mesma política, ou, neste caso, a mesma falta dela. É por isso que 2029 não será apenas uma mudança de pessoas. Terá de ser uma mudança de rumo.
A Amadora não precisa de continuidade. Acredito que a vitória do PSD está mais do que anunciada.