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LIBERDADE DE EXPRESSÃO NÃO É UM MENU À LA CARTEUm dos mais reveladores sinais da nossa frágil cultura democrática é a fo...
29/05/2025

LIBERDADE DE EXPRESSÃO NÃO É UM MENU À LA CARTE

Um dos mais reveladores sinais da nossa frágil cultura democrática é a forma como (não) entendemos a liberdade de expressão.

Parece que muitos só a valorizam quando as palavras dos outros alinham com as suas próprias convicções.

Mas esse não é o teste da liberdade — esse é o conforto da concordância.

A verdadeira liberdade de expressão manifesta-se precisamente quando alguém diz algo que nos incomoda, que achamos absurdo, ou até profundamente errado.

E mesmo nesses casos, se não houver calúnia, difamação ou incitamento ao ódio, esse alguém tem o direito de o dizer.

E nós temos o direito de o contradizer.

O que não temos — ou não devíamos ter — é a tentação de silenciar.

Vivemos num país livre, mas agimos como se estivéssemos em permanente vigilância moral.

O caso recente do anúncio promovido por Miguel Milhão, fundador da Prozis, é um exemplo gritante.

Houve quem se sentisse ofendido? Natural.

As ideias expostas são questionáveis? Talvez.

Mas isso legitima uma queixa formal?

O espaço era público, sim, mas o direito à expressão também o é.

E quando trocamos o debate pelo processo, estamos a substituir a democracia pela infantilidade institucional.

Em vez de se fazer uma queixa, por que não criar uma resposta? Um anúncio diferente. Uma campanha alternativa. Um contraditório que eleve a discussão em vez de a encerrar à força.

Confundir liberdade com libertinagem é um erro clássico.

A liberdade de expressão tem limites — mas esses limites são legais, não emocionais.

Não é porque me sinto desconfortável que o outro perde o direito à palavra.

Esse princípio é essencial para a maturidade cívica de uma sociedade.

Quando passamos a viver num ambiente onde se receia falar, não estamos a proteger os vulneráveis — estamos a cimentar um ambiente de censura moral que, a prazo, se vira contra todos.

Até contra aqueles que hoje aplaudem as queixas.

Precisamos urgentemente de recuperar a noção de que as leis existem para proteger direitos, não susceptibilidades.

Que a legitimidade de uma expressão não se mede pelo nosso agrado.

E que uma democracia saudável não é feita de silêncios forçados, mas de vozes em desacordo, dispostas a coexistir.

Não, liberdade de expressão não é um menu à la carte.

É um prato completo, servido com lucidez, coragem e, sobretudo, tolerância.

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DONALD TRUMP: A IGNORÂNCIA QUE PÕE EM CAUSA A GRANDEZA DA AMÉRICAO que mais impressiona em Donald Trump não é a sua arro...
27/05/2025

DONALD TRUMP: A IGNORÂNCIA QUE PÕE EM CAUSA A GRANDEZA DA AMÉRICA

O que mais impressiona em Donald Trump não é a sua arrogância desmedida, nem a sua constante petulância.

Não é a falta de estratégia, nem os traços de carácter errático que tão bem conhecemos.

O verdadeiro mal de Trump, aquele que fere mais profundamente o legado dos Estados Unidos, é a sua imensa ignorância.

E é precisamente essa ignorância que o impede de perceber o que verdadeiramente fez da América uma potência mundial — não foram muros, nem slogans, nem unilateralismos populistas.

Foi o talento.

O talento que veio de fora.

Trump parece ignorar que sem os cérebros estrangeiros nas suas universidades, os Estados Unidos não teriam sequer sonhado com a bomba atómica, quanto mais construí-la.

O programa espacial teria ficado pelo papel, e a bandeira americana jamais teria sido hasteada na Lua.

É fácil esquecer — ou querer apagar — que Albert Einstein foi um refugiado judeu, que Oppenheimer não trabalhou sozinho, e que os laboratórios americanos fervilham há décadas com vozes carregadas de sotaques vindos dos quatro cantos do mundo.

Um dos maiores trunfos dos EUA sempre foi a sua capacidade de atrair os melhores.

Com recursos abundantes e um sistema universitário de excelência, o país tornou-se num verdadeiro íman para investigadores, cientistas, pensadores e inovadores.

As universidades americanas são hoje o que são — e continuam a liderar rankings mundiais — porque durante décadas abriram as portas a quem queria sonhar mais alto, independentemente da cor do passaporte.

Esta abertura não foi apenas generosa — foi estratégica.

Foi inteligente.

E foi isso que Trump nunca percebeu.

Esperemos que mais esta demonstração de ignorância — e é difícil acompanhá-las a todas — tenha o mesmo destino de tantas outras ideias ocas: o recuo.

Porque enquanto Trump ergue muros físicos e ideológicos, a ciência, o progresso e o verdadeiro espírito americano continuam a exigir pontes.

A América foi grande porque foi aberta.

E continuará a sê-lo apenas enquanto souber aprender com os outros — e acolhê-los.

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O PAPA FRANCISCO: O FIM DE UMA ERA, O PRINCÍPIO DE UMA ESPERANÇAO Papa Francisco foi, sem dúvida, uma rutura com o passa...
21/04/2025

O PAPA FRANCISCO: O FIM DE UMA ERA, O PRINCÍPIO DE UMA ESPERANÇA

O Papa Francisco foi, sem dúvida, uma rutura com o passado.

O seu pontificado representou o fim de uma Igreja aprisionada nas suas próprias muralhas, enredada num sistema de medo, culpa e exclusão.

Foi o adeus a um Deus distante, fechado em templos e dogmas, inacessível à humanidade comum.

Francisco ousou desafiar essa imagem de uma Igreja moralista, segregacionista, muitas vezes mais preocupada com a norma do que com a compaixão.

Trouxe consigo uma verdade incómoda: grande parte da Igreja vivia afastada da essência cristã.

Durante 12 anos, Francisco foi luz.

Não uma luz de palco, mas uma luz interior, silenciosa, constante.

Acolheu os marginalizados, escutou os silenciados, levantou os caídos.

Falou menos de condenação e mais de misericórdia, menos de pecado e mais de humanidade.

Promoveu o diálogo inter-religioso, a ecologia integral, a economia com rosto humano.

Foi, sobretudo, o Papa do amor.

Amor prático, simples, mas revolucionário — porque desinstala e inquieta.

O seu legado não é uma doutrina nova, é uma forma nova de viver o Evangelho: com coragem, com alegria, com inclusão.

Francisco não quis uma Igreja perfeita, mas uma Igreja viva.

Uma Igreja que suja os pés na rua, que ouve o grito dos pobres, que não se sente superior, mas irmã da humanidade.

Ele mostrou o caminho, mas não o pode percorrer sozinho.

O seu pontificado será uma semente — fértil ou esquecida — conforme a liberdade e a fé de quem vier depois.

Agora, tudo depende da própria Igreja.

O Papa Francisco pode ter sido o início de uma profunda renovação, ou o último fôlego antes do fechamento definitivo.

O tempo julgará.

Mas uma coisa é certa: depois dele, já ninguém poderá dizer que não sabia que era possível uma outra forma de ser Igreja.

O futuro está nas mãos da Igreja.

E, como sempre, o Espírito sopra onde quer.

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AS MÁQUINAS POLÍTICAS: A Importância de Estruturas e Equipas para uma Política de QualidadeA política não acontece por a...
04/04/2025

AS MÁQUINAS POLÍTICAS: A Importância de Estruturas e Equipas para uma Política de Qualidade

A política não acontece por acaso.

Por detrás de cada líder visionário e promessa cumprida, existem equipas competentes e estruturas sólidas que fazem acontecer.

Neste texto, exploramos a importância das chamadas “máquinas políticas” – muitas vezes mal compreendidas –, revelando como estas são o verdadeiro motor de uma política eficaz, transparente e centrada nas pessoas.

Descubra como as equipas e estruturas bem organizadas podem transformar ideias em ações concretas, garantindo que a política não se torne apenas retórica, mas uma força real de mudança.

Esta leitura convida-nos a refletir sobre a necessidade de valorizar a organização e a ética nas engrenagens da política moderna.

Como podemos construir equipas coesas, apostar na diversidade de competências e integrar a tecnologia sem perder a humanidade?

Esta é uma chamada à ação para repensar a política, não como um jogo de interesses, mas como um serviço público ao nível das nossas maiores aspirações.

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ADEUS, JORGE NUNO – O terrível defeito de amar demais!!!Jorge Nuno Pinto da Costa tinha um e só um grande defeito – que ...
16/02/2025

ADEUS, JORGE NUNO – O terrível defeito de amar demais!!!

Jorge Nuno Pinto da Costa tinha um e só um grande defeito – que muitos consideram uma virtude: era um homem apaixonado e não tinha, nem punha, limites a essas paixões.

Especialmente pela sua maior: o Futebol Clube do Porto.

Foi essa entrega incondicional que fez com que o Pinto da Costa eclipsasse o Jorge Nuno.

Sobre o presidente, todos sabem tudo, dizem tudo, julgam tudo.

Mas do homem, do verdadeiro Jorge Nuno, quase ninguém sabe nada.

Porque ele nunca precisou de se expor, de se justificar ou de se explicar.

Quem teve o privilégio de o conhecer sabia bem que a sua grandeza ia muito além das quatro linhas do futebol.

Educado no Instituto Nun’Álvares – o famoso Colégio das Calcinhas – a sua casa, a nossa casa, Jorge Nuno era um humanista no mais puro e elevado sentido da palavra.

Inteligente, culto como poucos, lia de tudo e sabia falar sobre tudo, em qualquer lugar.

Humilde com os humildes, altivo com os arrogantes, implacável com os ignorantes, intolerante com os oportunistas, a sua intolerância para com a mediocridade foi muitas vezes confundida com arrogância.

Mas ele não era arrogante – era exigente, primeiro consigo próprio, depois com os outros.

Era um cavalheiro como já não se fazem: sóbrio, disciplinado, mordaz no humor e profundamente elegante na forma como via e vivia o mundo.

Amava Portugal inteiro mas nunca tolerou quem queria reduzir este país a um burgo centralista e elitista fechado nos gabinetes da capital.

O Porto, a nossa Invicta, era a sua casa, a sua alma.

Chorou quando ouviu, pela primeira vez, “Vem ter comigo aos Aliados” do seu amigo Pedro Abrunhosa ou como sempre lhe vinham as lágrimas aos olhos quando ouvia o “Porto sentido” do Rui Veloso.

Porque o Jorge Nuno nunca abdicou das suas lágrimas de emoção, de encanto, de amor, de paixão, pois, como todos os grandes homens, nunca abdicou de nada do que era seu por direito, trabalho e mérito.

Chorou ao ver o Douro ao entardecer, ao sentir o abraço do mar no Castelo do Queijo, onde tantas vezes se sentou a decorar poesia, que declamava soberbamente, especialmente os seus dois poemas de favoritos: o “Cântico Negro” do Régio e o “Menino de sua mãe” do Pessoa.

Esse lado do Jorge Nuno, o lado sensível, apaixonado, sentimental, poucos tiveram o privilégio de conhecer.

Mas ele existia, vibrante, indomável, verdadeiro.

Hoje choramos, lembramos e honrámos o homem, o amigo, o filho da Invicta que nunca abdicou de ser quem era.

Pinto da Costa foi um gigante no desporto, mas talvez tenha sido um detalhe na vida de um homem muito maior.

E é esse Jorge Nuno que hoje recordamos.

O Porto, o país, a sua cidade e o seu clube seguirão em frente, mas nunca mais serão os mesmos.

A alarve alegria dos medíocres pela sua morte será a sua última vitória e a sua derradeira satisfação.

Adeus, Jorge Nuno.

Hoje a Invicta chora o seu menino… o menino de sua mãe…

TRUMP VENCEU: E AGORA?As causas e consequências da vitória de Donald Trump na última terça-feira!https://www.linkedin.co...
08/11/2024

TRUMP VENCEU: E AGORA?

As causas e consequências da vitória de Donald Trump na última terça-feira!

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Donald Trump venceu, com grande expressividade, as eleições do passado dia 5 de novembro. Derrotou a candidata democrata Kamala Harris para a presidência, numa vitória de magnitude como não se via há mais de 20 anos, conseguindo também, para o partido republicano, vitórias no Senado, no núm...

"Tempo é dinheiro", muitos dizem, e com razão.Mas só utilizam esta frase no sentido de que não se pode "perder" tempo, t...
15/09/2024

"Tempo é dinheiro", muitos dizem, e com razão.
Mas só utilizam esta frase no sentido de que não se pode "perder" tempo, tudo tem de ser feito na máxima velocidade, o mais rápido possível.
Ora o tempo, tal como o dinheiro, também se investe, também se guarda, também se poupa, também é necessário esperar o momento certo para depositar e o momento certo para o levantar, também é preciso "comprar em baixa para vender em alta".
A pressão que hoje se faz para que tudo se faça à máxima velocidade, do tempo ser todo consumido no momento em que acontece é o mesmo que ter a obrigação de gastar o dinheiro no exato momento em que é ganho.
É estúpido, é ineficaz, é ridículo.
Aprendamos a medir a reação da pressão que exercemos.
Não "gastemos" o nosso tempo.
Vamos antes investi-lo.

... e se hoje eu não acrescentasse rigorosamente nada...
14/09/2024

... e se hoje eu não acrescentasse rigorosamente nada...

Aprender a agradecer, ser grato, estar consciente do privilégio que muitos de nós temos...A maioria dos que leem estas c...
13/09/2024

Aprender a agradecer, ser grato, estar consciente do privilégio que muitos de nós temos...
A maioria dos que leem estas coisas que vou para aqui escrevinhando tem um teto sobre a cabeça, pode ser á rua sem ter medo presente e efetivo de ser morto, tem garantida a próxima refeição, o próximo banho, uma cama à sua espera para poder descansar...
E raros de nós, rarríssimos, assuma estas "pequenas coisas" como verdadeiros e enormes privilégios porque muito poucos sabem que só uma minoria da humanidade tem acesso a esses "luxos".
O que para nós são certezas para outros são quimeras, o que para nós são garantias para outros são sonhos, o que para nós são direitos para outros são desejos.
Temos de agradecer mais e queixarmo-nos menos.
Gostávamos de viver melhor: claro que sim! E nada de mal nisso!
Mas também temos de dar valor ao que temos e sermos gratos por isso.
Porque a nossa desvalorização e "ingratidão" é uma injustiça para muitos outros (a maioria dos outros) que merecendo o mesmo que nós, não tem nem nunca terá.

Somos todos tão bem-educados!Dizemos todos "obrigado", "Por favor" e, claro, pedimos desculpas.Nunca se pediu tantas vez...
12/09/2024

Somos todos tão bem-educados!
Dizemos todos "obrigado", "Por favor" e, claro, pedimos desculpas.
Nunca se pediu tantas vezes desculpas como hoje em dia.
Mas já pensaram o que quer dizer "desculpa". Em rigor é "tira-me a culpa"!
Quer dizer que cometemos um erro e que queremos que a outra pessoas nos retire a culpa e a responsabilidade de o termos cometido!
Ora, nós não queremos que nos tirem a culpa, nós queremos que nos digam como não voltar a cometer o erro, a ofensa, o prejuízo, o dolo.
Nós queremos aprender com os erros para podermos evoluir e errar cada vez menos, sermos cada vez melhores, sermos cada vez mais capazes.
Nós queremos (pelo menos eu quero) que o erro me marque, me transforme, me melhore.
Não quero que me tirem nada!
Eu quero suportar tudo de que sou a origem, até as culpas.
Porque, nesta vida, nada nos empobrece, tudo nos enriquece.
Como disse alguém "nada é inútil: quando não ganhamos, aprendemos."

Considero o Orgulho o pior defeito humano.O orgulho é a negação da condição humana, é achar que somos infaliveis, donos ...
11/09/2024

Considero o Orgulho o pior defeito humano.
O orgulho é a negação da condição humana, é achar que somos infaliveis, donos da verdade, que não erramos, que o nossa opinião é sempre a correta só porque é nossa.
O orgulho é a incapacidade crónica de vermos para além de nós mesmos.
O orgulho é a incapacidade e a indisponibilidade de aprender, de evoluir, de corrigir, de irmos mais além, de nos ultrapassarmos, de nos superarmos.
Orgulho é a estupidez cristalizada pela ignorância porque só o ignorante pode supor que não erra.
Tenhamos a humildade e a humanidade de admitir que erramos, que tantas vezes entramos pelas portas erradas e que não há mal nenhum em, pedir desculpas e... sair...

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