18/05/2026
Calçado português vai a Bruxelas promover debate sobre reindustrialização
O setor português do calçado, através da APICCAPS e Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, vai a Bruxelas, a 16 de junho, defender a reindustrialização da Europa com base em inovação, sustentabilidade e produção de proximidade.
A iniciativa decorre na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER) e reunirá eurodeputados, decisores políticos e parceiros europeus para debater o futuro da indústria do calçado no contexto global.
De acordo com dados do setor, são atualmente produzidos mais de 24 mil milhões de pares de calçado por ano em todo o mundo, sendo mais de 88% provenientes da Ásia, o que evidencia a forte deslocalização da produção para fora da Europa.
Perante este cenário, a indústria portuguesa apresenta-se como um caso de estudo alternativo, apostando numa produção assente em elevados padrões de qualidade, inovação tecnológica e crescente sustentabilidade ambiental. “É possível produzir calçado de excelência, na Europa, a preços justos”, considera Luís Onofre, Presidente da APICCAPS.
Nos últimos três anos, o setor português concretizou o maior investimento de sempre, com mais de 100 milhões de euros aplicados ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com o objetivo de preparar o futuro da indústria.
Entre os projetos estruturantes destaca-se o BioShoes4All, que mobilizou cerca de 70 milhões de euros e envolveu mais de 60 parceiros, incluindo empresas, universidades e centros tecnológicos.
O projeto visa acelerar a transição da cadeia de valor do calçado para a bioeconomia, promovendo o desenvolvimento de novos biomateriais, a implementação de processos produtivos inovadores, a digitalização e a valorização de resíduos, contribuindo para a redução da pegada ambiental.
Para o presidente da APICCAPS , esta iniciativa assume também uma dimensão política, num momento em que a Europa discute o reforço da sua base industrial. “Continuamos a acreditar no futuro da indústria na Europa, mas é fundamental garantir princípios de comércio livre, justo e equilibrado”, afirmou.
Segundo Luís Onofre “a reindustrialização europeia exige uma visão estratégica que valorize a produção local, promova a inovação e assegure condições de concorrência equitativas à escala global”.
A sessão em Bruxelas pretende, assim, apresentar os resultados alcançados e reforçar o contributo da indústria portuguesa para uma estratégia europeia baseada em cadeias de valor mais resilientes, sustentáveis e competitivas.