03/05/2026
Aprendi que a pressa não tem lugar aqui. As partes finais, aquelas onde o brilho e a alma da peça finalmente aparecem, trazem sempre processos longos e exigentes. Esta peça foi um desses desafios.
Não é só sobre as fissuras, é sobre a paciência que cada linha pede. Existe um tempo muito próprio para a resina se adaptar e para assentar com calma, um exercício de espera que não aceita atalhos. É nesse tempo mais lento e silencioso que a cerâmica deixa de ser apenas um conjunto de cacos para ganhar uma vida nova.
Gosto de sentir que a dedicação que ponho nestes detalhes é o que lhes dá o verdadeiro valor. O restauro acaba por ser muito mais do que o objeto que vemos no fim, é todo este caminho de cuidado que me permite chegar lá.
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