Catarina Cortes Conservação

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Catarina Cortes Conservação abre atelier CCC
Dedicado à Conservação e Restauro, às Artes Fotográf**as e à Preservação e Valorização do Património Cultural. É um novo espaço de partilha, parceria e proximidade.

Entre saberes e distâncias: medicina e cuidado fora dos grandes centrosEntre Coimbra e o Alentejo, um livro manuscrito d...
13/10/2025

Entre saberes e distâncias: medicina e cuidado fora dos grandes centros

Entre Coimbra e o Alentejo, um livro manuscrito de medicina do século XIX tornou-se ponto de encontro entre diferentes homens, tempos e formas de cuidar. A partir deste volume, copiado em 1855, é possível seguir a passagem de saberes entre barbeiros-sangradores e médicos formados, revelando como o conhecimento circulava entre gerações, territórios e práticas.

O Esboço da Prática Médica, ditado por João Lopes de Morais enquanto estava preso em 1830, foi escrito em português simples e dirigido a quem aprendia pela observação e pela experiência. Décadas mais tarde, o livro seria usado por barbeiros-sangradores em Vaiamonte, e entre as suas páginas ficou guardado um auto de exame de 1844 – testemunho da importância destes profissionais nas comunidades locais.

Mais de um século depois, o manuscrito chegou às mãos do Dr. José Rodrigues Estrela, médico de vila formado em Coimbra e discípulo do Dr. João Maria Porto, figura notável da medicina social portuguesa. Estrela exerceu no Alentejo durante toda a vida, fiel ao princípio de que a proximidade é também uma forma de conhecimento.

Cinco homens, diferentes tempos, um mesmo gesto: ensinar, cuidar e partilhar. O livro sobreviveu entre todos eles não apenas como objeto, mas como elo entre o saber técnico e o saber humano – entre a universidade e o quotidiano, entre o conhecimento formal e a vida das pequenas comunidades.

Conservar este manuscrito é também reconhecer o valor de quem, com os meios de cada época, procurou fazer da medicina uma forma de serviço e de continuidade.

📖 Lê o texto completo em: https://www.ccconservacao.com/post/entre-saberes-e-distâncias-medicina-e-cuidado-fora-dos-grandes-centros

Digitalizar bem começa antes de ligarmos os equipamentosHá um erro comum: começar pelo equipamento (“quantos DPI?”, “qua...
04/10/2025

Digitalizar bem começa antes de ligarmos os equipamentos

Há um erro comum: começar pelo equipamento (“quantos DPI?”, “quantos megapíxeis?”). Projetos de digitalização consistentes e com qualidade começam antes: porquê digitalizar, para quê, para quem e o que é considerado no fim como “bom”.

Quando se salta esta preparação, aumentam os riscos: propostas incomparáveis, parâmetros “a olho”, pastas de ficheiros digitais sem metadados, atrasos, erros e de ter de fazer tudo outra vez. Fazer bem à primeira é mais barato e mais seguro para o acervo.

Preparação é metade do sucesso. Definir objetivos (acesso, preservação), planear entregáveis (ficheiro matriz, derivados, relatórios) e organizar lotes homogéneos para reduzir mudanças de configuração e manuseamento.
Aqui entra a conservação: nem todos os documentos são iguais. Há aqueles que estão fragilizados, com formatos atípicos, os que têm necessidade de berços ou de uma captura sem contacto. A equipa de conservação ajuda nesta análise a elaborar a estratégia mais adequada de preparação e manuseamento durante a digitalização. Envolver a conservação antes e durante a captura não é “perda de tempo” é uma garantia de proteção para o objeto e de mitigação de atrasos.

Depois, a qualidade. Não é uma opinião; mede-se. Em vez de discutir os DPI ou se a imagem parece correcta no ecrã, é necessário exigir evidências objetivas: amostras com alvos/miras técnicas, registos de calibração e relatórios de controlo de qualidade (nitidez/MTF, ruído, cor). Referenciais como FADGI, Metamorfoze e normas ISO permitem comparar propostas e validar resultados.

A colaboração da toda a equipa interna faz diferença (direção, conservação, técnica, TI, comunicação e operação). Uma formação curta e transversal poupa semanas de revisões e evita: ter de voltar a fazer, documentos dissociados ou esquecidos.

No atelier CCC podemos ajudar nestes três níveis:
– Formação curta e dirigida a toda a equipa para alinhar objetivos, critérios e fluxos de trabalho.
– Avaliação de propostas, ajudamos a escrever cadernos de encargos e a fazer a seleção com base em evidências mensuráveis (amostras testáveis, QC, entregáveis, sustentabilidade).
– Execução com metodologias seguras para o acervo, verif**ação de qualidade e documentação completa.

Digitalizar não é decidir DPI; é uma sequência de decisões certas. Preparar, medir e conservar é o que garante resultados com qualidade e duráveis.

👉 Vê o guia completo em Boas práticas:
https://www.ccconservacao.com/boas-praticas/esta-a-ponderar-digitalizar-o-seu-acervo-saiba-como-comecar-e-evitar-erros-comuns
👉 Fala connosco para adaptar esta abordagem ao teu contexto.

Documentos com história: três negativos da conspiração republicanaNem sempre um arquivo fotográfico guarda apenas retrat...
12/09/2025

Documentos com história: três negativos da conspiração republicana

Nem sempre um arquivo fotográfico guarda apenas retratos de família ou memórias locais. Às vezes, entre caixas de negativos, surgem surpresas que ligam uma pequena cidade à história nacional.

Foi isso que aconteceu no arquivo da Foto-Carvalho, em Estremoz. Entre milhares de negativos, sobreviveram três de grande formato, partidos e sem identif**ação. À primeira vista, poderiam passar despercebidos. Mas ao observar com atenção percebi que não eram retratos banais: pela pose, pelo cenário e pelo uniforme, um dos negativos revelava o rosto mais conhecido de António Machado Santos, o “Herói da Rotunda” da Revolução de 1910.

A partir daí, tudo se tornou mais claro. Estes três negativos correspondiam afinal aos retratos de Machado Santos, Luz de Almeida (Grão-Mestre da Carbonária) e António Maria da Silva (último primeiro-ministro da I República antes do golpe militar de 1926). Todos membros da Alta Venda, a cúpula da Carbonária Portuguesa.

Descobrir estas imagens foi também descobrir a história do estúdio: fundado em Lisboa por Teodósio de Carvalho, maçom conhecido pelo nome “Daguerre”, e mais tarde transferido para Estremoz onde o filho, Rogério de Carvalho se estabeleceu como principal fotógrafo. O facto de estes três negativos terem sobrevivido do período lisboeta mostra a importância que lhes foi dada.

👉 Este novo episódio da série “Documentos com história” mostra como preservar é também investigar e dar a conhecer. Um negativo partido pode ser muito mais do que um objeto técnico: pode conter uma peça essencial da história de um país.
📖 Lê o texto completo no blog: https://www.ccconservacao.com/post/os-retratos-da-conspiração-republicana-três-negativos-da-foto-carvalho

Três negativos de grande formato da Foto-Carvalho, antigo estúdio de Estremoz, revelam os rostos de Machado Santos, Luz Almeida e António Maria da Silva, membros da Alta Venda da Carbonária. Descobertos partidos e sem identif**ação, estes retratos unem a história local de Estremoz à conspira...

📖 Documentos com HistóriaEntre as mãos e a memória: um manuscrito médico e a história de quem o ditou, usou e guardouO s...
24/08/2025

📖 Documentos com História
Entre as mãos e a memória: um manuscrito médico e a história de quem o ditou, usou e guardou
O segundo post da série Documentos com História parte de um livro manuscrito do século XIX, ditado por João Lopes de Morais enquanto estava preso por motivos políticos. Médico, professor universitário e liberal, ditou este manual prático de medicina em português, destinado a barbeiros-sangradores e cirurgiões populares. Dos conhecimentos que guarda e de muitos que já estão ultrapassados, destacam-se outros ainda muito atuais:

“Foge às causas para evitar as moléstias; goza com moderação e sofre com paciência, porque serás sadio.”
– João Lopes de Morais, c.1829

A cópia que chegou até mim foi feita em Cabeço de Vide, em 1855, e terá pertencido a dois barbeiros-sangradores da mesma família, em Vaiamonte. Mais tarde, passou para as mãos de um médico formado em Coimbra. Marcas de uso, inscrições e documentos soltos ajudam a reconstruir esta trajetória singular — entre prisão, ensino informal e circulação do saber técnico no interior do país.

Este texto complementa o primeiro da série, centrado no auto de exame de um sangrador de 1844. Em conjunto, os dois posts revelam um quotidiano médico popular muitas vezes esquecido, mas essencial para compreender a história da saúde em Portugal.

👉 Convido-vos a ler o post completo no blog e a acompanhar esta série de partilhas, onde documentos preservados em contexto de conservação ganham nova visibilidade — porque dar a conhecer com contexto e cuidado é também um gesto de conservação.
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Um livro manuscrito de medicina do século XIX ditado por João Lopes de Morais, professor preso por motivos políticos, e copiado para uso de barbeiros-sangradores. Neste segundo texto da série Documentos com História, revelo as histórias deste documento singular: autoria, circulação, uso e va...

Licença para curarAuto de exame de um sangrador de 1844Documentos com história | Porque conservar é também dar a verEntr...
28/07/2025

Licença para curar
Auto de exame de um sangrador de 1844

Documentos com história | Porque conservar é também dar a ver

Entre as páginas de um antigo livro manuscrito de medicina, encontrei um documento que dá início a uma nova série de textos: Documentos com história. São fragmentos materiais que recolho no trabalho de conservação e investigação, e que merecem ser partilhados não apenas como curiosidade, mas como forma de cuidar da memória.

O documento em causa é um Auto de Exame de Sangria, datado de 1844, da vila de Alter do Chão. Regista o exame oficial de um candidato a sangrador – Francisco António Pereira, morador em Vai Monte (hoje Vaiamonte) – perante um delegado de saúde pública, um cirurgião e um sangrador experiente. Após responder a perguntas e fazer uma demonstração prática com ventosas, foi aprovado por unanimidade.

Este auto oferece uma visão rara sobre a formalização de práticas empíricas do Portugal do século XIX. Os sangradores eram figuras comuns em vilas e aldeias, onde muitas vezes não havia médicos. O documento mostra que, mesmo à margem da medicina académica, estas práticas eram reconhecidas e reguladas – com exames, escrutínios e selos do Estado.

Falar de sangradores é falar de saúde, de saber-fazer e de uma profissão que desapareceu com a consolidação da medicina científ**a. Mas é também falar de papel, de arquivo e de memória. O auto não é apenas um registo funcional – é um objeto com valor histórico e simbólico, guardado com cuidado, selado e assinado, e agora resgatado para ser dado a conhecer.

Neste projeto pessoal de escrita e divulgação, procuro reforçar a ideia de que preservar documentos é também partilhá-los. Porque o que não se vê, desaparece. E porque dar a conhecer com contexto e cuidado é um gesto de conservação tão importante quanto o restauro físico.

🗃️ Lê o artigo completo no meu blog: https://www.ccconservacao.com/post/licença-para-curar-exame-a-um-sangrador-de-1844

Primeiro texto da série Documentos com História, este artigo parte de um auto de exame de 1844 e resgata a prática dos sangradores em Portugal do século XIX. Preservado dentro de um antigo livro de medicina, o documento revela como o saber empírico era formalizado, e lembra-nos que conservar é...

Coleções retocadas – Foto-EstefâniaRetoque, fotografia de bairro e glamour cinematográficoEntre os muitos gestos invisív...
21/07/2025

Coleções retocadas – Foto-Estefânia
Retoque, fotografia de bairro e glamour cinematográfico

Entre os muitos gestos invisíveis da fotografia de estúdio, o retoque ocupa um lugar particular: foi prática corrente, pouco documentada, raramente valorizada. O terceiro texto da série “Coleções retocadas” é dedicado ao estúdio Foto-Estefânia, um pequeno estúdio de bairro lisboeta da primeira metade do século XX, cuja coleção – hoje na LUPA – permite observar uma viragem importante na estética do retrato.

Ao longo da análise de várias coleções de negativos, foi na Foto-Estefânia que se tornou mais evidente a transição para uma nova linguagem visual. A presença de retoques sistemáticos na linha da cana do nariz, ausentes em retratos anteriores, revela a tentativa de simular a iluminação artificial descendente típica do cinema da época. Este detalhe técnico, repetido e intencional, indica mais do que uma correção: mostra que a luz e a pose já seguem modelos do retrato cinematográfico.

A partir dos anos 1920, o cinema impõe-se como referência de gosto e modelo visual. O retrato de estúdio, mesmo nos bairros, adapta-se a essa estética: poses anguladas, iluminação composta, fundos esbatidos, encenação subtil. O retrato deixa de se inspirar na pintura oitocentista – passa a olhar para a própria fotografia e para o rosto das estrelas de Hollywood.

No texto, exploramos também a relação entre esta estética moderna e exemplos documentados, nomeadamente nos retratos de artistas pelo fotógrafo Silva Nogueira e no trabalho de George Hurrell, fotógrafo de referência no glamour cinematográfico, cuja influência se estendeu internacionalmente à fotografia comercial.

A coleção Foto-Estefânia pode ser modesta em número, mas contém uma chave essencial para compreender como o gosto muda – e como o retoque o acompanha. É no detalhe técnico que se revela uma viragem cultural.

📖 Lê o artigo completo no site

📂 Série: Coleções Retocadas
Próxima publicação: Verdade e vaidade no retrato de estúdio

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Análise técnica e cultural da coleção Foto-Estefânia, um conjunto de negativos retocados nos anos 1920–30 em Lisboa. O texto revela como o glamour do cinema influenciou a estética do retrato de estúdio e os gestos técnicos aplicados ao negativo. Uma abordagem rigorosa sobre imagem, gosto e...

📚 Boas práticas para cuidar do patrimónioIniciei uma nova série de publicações dedicadas à conservação preventiva, com d...
12/07/2025

📚 Boas práticas para cuidar do património
Iniciei uma nova série de publicações dedicadas à conservação preventiva, com dicas úteis, acessíveis e baseadas em conhecimento técnico. Porque preservar o património começa muitas vezes por gestos simples – mas decisivos.

Começamos pelo princípio: registar para preservar.
O Registo ou inventário é mais do que uma lista – é um documento técnico essencial que protege, organiza e valoriza o acervo.

📝 Saiba porquê, o que registar e como começar:
🔗 do artigo https://www.ccconservacao.com/boas-praticas/registar-para-preservar%3A-o-invent%C3%A1rio-como-ponto-de-partida-para-cuidar
🔗 mais em Boas práticas https://www.ccconservacao.com/conhecer/boas-pr%C3%A1ticas

Para restaurar é preciso conhecer. Antes de qualquer intervenção, fazem-se diagnósticos, recolhem-se dados, cruzam-se hi...
06/07/2025

Para restaurar é preciso conhecer.
Antes de qualquer intervenção, fazem-se diagnósticos, recolhem-se dados, cruzam-se histórias e materiais. Muitas vezes, aquilo que parecia perdido – pela deterioração ou pelo esquecimento – volta a surgir. O altar-mor da Igreja do Espírito Santo, integrado na antiga Universidade Jesuíta, atualmente Universidade de Évora, é um desses casos. Sobreviveu aos séculos com marcas visíveis do tempo: alterações de uso, de tutela, de rituais e de sentido.

Em 2015, analisámos toda a informação recolhida durante a fase de diagnóstico e decidimos ir mais longe. Criámos uma proposta de reconstituição histórica virtual deste altar, num projeto multidisciplinar que explorou o potencial da infografia como ferramenta de divulgação científ**a. O objetivo era simples: experimentar novas formas de comunicação digital, tornar visível o que já não se vê e acessível o que muitas vezes f**a disponível apenas à academia.

Dez anos depois, esta intenção continua a fazer sentido. Neste novo post voltei a refletir sobre o processo, os desafios e a atualidade desta proposta.

Leia o texto completo no blog [clique na imagem]
Explore também a plataforma original: https://www.hercules.uevora.pt/retabuloevora/

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Uma reconstrução virtual do altar-mor da Igreja do Espírito Santo, em Évora, deu origem a uma plataforma digital interativa criada em 2015. Dez anos depois, revisitamos este projeto que tornou visível o que já não se vê – e acessível o que antes estava reservado à academia. Uma reflexão...

Foto-Carvalho – Retrato, Retocadora e Identidade LocalUm estúdio de fotografia em Estremoz. Um fotógrafo exigente. Uma r...
30/06/2025

Foto-Carvalho – Retrato, Retocadora e Identidade Local

Um estúdio de fotografia em Estremoz. Um fotógrafo exigente. Uma retocadora discreta, mas fundamental.

Durante quase 30 anos, Dona Esmeralda foi a retocadora da Foto-Carvalho. Aprendeu com o olhar e com o gesto. Retocava negativos e provas, suavizava feições com grafite e maquilhagem rosa. “Bonitas é que eu as gostava de deixar” – dizia.

Esta coleção é especial: embora composta apenas por negativos, muitos podem ser ainda hoje comparados com as respetivas provas existentes nas casas das famílias de Estremoz.
As fotografias guardam no verso o número do negativo – uma ponte rara entre o objeto doméstico e o arquivo histórico.

Este é o segundo texto da série Coleções retocadas – Ver o invisível. Um olhar sobre a prática do retrato de estúdio, o trabalho invisível do retoque e a memória visual

📎 Lê o artigo completo no meu site:
https://www.ccconservacao.com/post/coleções-retocadas-foto-carvalho-retrato-retocadora-e-identidade-local

📍 Se visitares Estremoz, passa pelos Estúdios Correia:
– ainda hoje podes fazer uma sessão fotográf**a;
– ou recuperar retratos antigos a partir dos negativos originais da Foto-Carvalho.
Estúdios Correia

O próximo texto da série “Coleções retocadas” será dedicado ao Estúdio Foto-Estefânia

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Exploramos a história do estúdio Foto-Carvalho (Estremoz) e o papel invisível da retocadora D. Esmeralda. Através dos negativos, revelam-se os gestos técnicos que moldaram a imagem fotográf**a e a identidade local na primeira metade do século XX.

Já olhaste para uma fotografia... em profundidade?No final do século XIX, a fotografia estereoscópica transformou o modo...
21/06/2025

Já olhaste para uma fotografia... em profundidade?
No final do século XIX, a fotografia estereoscópica transformou o modo como víamos o mundo: duas imagens ligeiramente deslocadas, um visor especial – e de repente tudo ganhava volume, presença, realidade.
No dia 21 de Junho, celebra-se o Dia da Estereoscopia e partilho contigo um texto especial onde conto a história desta técnica fascinante – com objetos e imagens da minha própria coleção, como a câmara Glyphoscope Jules Richard e estereoscopias em vidro Agfachrome e em papel

Vem descobrir como é ver o passado com mais profundidade.
Lê o artigo completo no meu site.


Celebrando o dia da estereoscopia, 21 de Junho. Explora a história e a experiência da fotografia estereoscópica na viragem do século XX, através de câmaras, visores e imagens da minha coleção. Um olhar sobre o fascínio da profundidade e a persistência do espanto visual.

Coleções Retocadas - Ver o invisívelGrande parte do património fotográfico português não está em exposições nem em álbun...
16/06/2025

Coleções Retocadas - Ver o invisível
Grande parte do património fotográfico português não está em exposições nem em álbuns — está guardado em arquivos, em caixas de cartão, como negativos em vidro. Muitos desses negativos nunca foram mostrados e deles não sobrevivem as provas originais, e mesmo quando estas existem nem sempre revelam tudo o que a imagem esconde. Entre as sombras riscadas a lápis, os rostos corrigidos com tinta opaca e os nomes inscritos nas margens, há um mundo invisível a descobrir.
Durante anos, a fotografia foi pensada sobretudo a partir da imagem final. Mas o negativo, especialmente quando retocado, revela-nos muito mais: as decisões estéticas, o trabalho dos estúdios, as exigências dos clientes, os gestos técnicos quase sempre invisíveis — e frequentemente femininos.
Iniciei esta série de textos com base na minha investigação sobre coleções de negativos portugueses da primeira metade do século XX. Estudei seis arquivos distintos, públicos e privados, onde o retoque foi prática comum. Através dele, podemos seguir pistas sobre modos de produção, autoria e até gosto visual.
Entre os casos explorados:
* A Foto-Carvalho, estúdio alentejano onde se encontram retocadoras anónimas e negativos de vidro com uso prolongado
* A Foto-Estefânia, em Lisboa, onde sobreviveram não só os negativos, mas os materiais e os testemunhos
* A Fotografia Alvão, no Porto, onde se observa a evolução de estilo e técnica em retrato profissional
* A coleção NEG, que levanta hipóteses de autoria esquecidas nos arquivos municipais
* Os negativos estereoscópicos de Aurélio da Paz dos Reis, retocados em "três dimensões"
* E até os negativos científicos do Museu de História Natural da Universidade do Porto

Esta é uma arqueologia visual. E o retoque, longe de ser um truque ou deturpação, é parte do processo, da cultura e da história da fotografia.

Primeira publicação da série já disponível:
https://wix.to/E1tZ223

Proposta para uma nova leitura dos negativos fotográficos como objetos culturais. A partir do estudo de seis coleções portuguesas, revela-se o papel do retoque manual na construção da imagem, destacando o valor material, técnico e simbólico dos negativos no contexto da fotografia de estúdio,...

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