16/09/2014
"Não é peciso dizer adeus"
ALLISON DUBOIS
A história real que inspirou a série de TV MEDIUM
2a Edição
“A morte é uma coisa curiosa. Revela o que há de melhor e de pior nas pessoas. Desvenda a verdade e faz com que a vida se torne extremamente clara."
Allison DuBois
G
rande sucesso nos Estados Unidos, Não é preciso dizer adeus é o relato surpreendente de Allison DuBois, uma mulher comum — mãe, esposa, profissional -, exceto pelo fato de que possui a capacidade de se comunicar com os mortos, prever acontecimentos e encontrar pessoas desaparecidas.
Seu perfil tão diferente fez dela uma grande aliada da polícia americana na reconstituição de crimes, traçando perfis de assassinos e localizando corpos. Baseada em suas experiências, a rede de televisão NBC produziu a série Medium, exibida no Brasil pelo canal Sony.
Desmistif**ando o mistério que costuma cercar as pessoas dotadas de dons mediúnicos, Allison faz um relato sensível e absolutamente humano das bênçãos e dificuldades de se ter tamanho poder de intuição.
A autora conta fascinantes histórias de suas premonições e chama atenção para os sinais que os espíritos constantemente nos enviam. Além disso, ensina como lidar com crianças que possuem poderes parapsicológicos e como ajudá-las a encarar esse dom como algo positivo.
Com sensibilidade, Allison explica como o desejo de aliviar a dor dos outros a estimulou a definir o objetivo de sua própria existência: um comprometimento profundo com a busca pela verdade e pelo bem. Para todos aqueles que já se questionaram sobre o outro lado da vida, Não é preciso dizer adeus serve como uma prova de que existe uma energia vital que subsiste à morte e que deseja intensamente comunicar-se.
Allison DuBois descobriu sua mediunidade aos seis anos de idade. Hoje dá apoio a pesquisas como membro da Comissão de Médiuns e da Fundação Família Eterna, nos Estados Unidos. Ela ajuda a polícia americana a desvendar crimes e a solucionar casos de pessoas desaparecidas.
Dedicatória
Este livro é dedicado aos pais. Há pouco tempo me dei conta da importância valiosa dos pais. Tive o privilégio de conhecer quatro homens extraordinários que morreram em 2002.
Meu pai, Mike Gomez, que eu adorava e de quem vou sentir saudade até o fim dos meus dias. Não foi um pai típico. Quando eu tinha nove anos, ele começou a me dar cremes faciais para prevenir contra as rugas de envelhecimento. Valeu, pai! Ele merecia todo o meu amor. Morreu aos 67 anos, mas, no fundo, não passava de uma criança obstinada. Sei que ele vai dançar para sempre entre as estrelas com as mais belas damas. Ninguém riu ou viveu tão intensamente quanto meu pai.
Meu grande amigo Randy morreu sete meses depois do meu pai. Era o rei dos frutos do mar e meu cético preferido. Randy sempre se empenhava para que todos se divertissem. Como meu pai, ele também morreu de um ataque cardíaco, só que tinha apenas 49 anos. Partiu deixando três filhos maravilhosos e uma esposa que compartilhava seu espírito vibrante.
Meu tio-avô, Don, de humor sarcástico, foi delegado e piloto na Segunda Guerra Mundial. Morreu aos oitenta anos e fez seu último vôo em janeiro de 2002.
Russ Serzen, um ex-ianque de Nova York e avô em tempo integral. Eu o conheci pouco e ele partiu inesperadamente, vítima de uma doença cerebral incurável. Russ me marcou muito e mereceu minha admiração.
Todos esses homens viveram intensamente e não se desculparam por suas personalidades. Foram todos inspiradores e grandes pais.
Sumário
1. Uma canção 14
2. Uma menina conhece o outro lado 21
3. Um anjo no meu ombro 23
4. Desaparecidos 25
5. Médiuns de jardim-de-infância 38
6. Hormônios e médiuns adolescentes 50
7. Empatia 57
8. Vida sofrida, despedida tranqüila 61
9. Pequenas coisas 65
10. Os dotados 73
11. Você realmente quer saber? 91
12. Se você nunca for morrer 95
13. Uma vez na vida 106
14. Trevor 112
15. Apaixonado por uma médium 117
16. A ciência e o outro lado 121
Sobre a autora
Agradecimentos
Prefácio
Gary E. Schwartz, Ph.D. Laboratório de Sistemas de Energia Humana Universidade do Arizona
Há pessoas que possuem dons e, algumas vezes, elas próprias são dádivas. Allison DuBois não é simplesmente uma médium, mas uma dádiva extraordinária para os outros. Da mesma forma que se dedica ao marido, aos filhos e amigos, ela oferece seus dons a clientes que buscam sua ajuda e aconselhamento como médium e sensitiva.
Como cientista que investiga a possibilidade de sobrevivência da consciência, testemunhei realizações de Allison que anteriormente considerava impossíveis. Ela consegue o aparentemente irrealizável de uma forma delicada, tranqüila, gentil e compreensiva, provocando um sorriso nos rostos e proporcionando alegria aos corações.
Antes de conhecer Allison, eu havia realizado pesquisas com um grupo de médiuns excepcionalmente dotados. Em meu livro The Afterlife Experíments: Breakthrough Scientific Evidence of Life After Death (Experimentos da vida após a morte: descoberta cientif**amente comprovada da vida após a morte), comento uma série de experimentos com John Edward de Crossing Over (Travessia), George Anderson, Suzanne Northrop, Laurie Campbell e Anne Greymen - pessoas que descrevo como os Michael Jordans da mediunidade. Após trabalhar com Allison, para mim ficou evidente que ela faz parte desse primeiro time de médiuns.
Devo confessar que Allison ocupa um lugar especial em meu coração. Isso porque, por coincidência, a conheci apenas dois dias após o falecimento de minha avó adotiva, Susy Smith, que morreu repentinamente de um ataque cardíaco fulminante. Eu adorava Susy e não estava preparado para a sua morte repentina.
Susy tinha 89 anos, escreveu trinta livros sobre parapsicologia e sobrevivência da consciência após a morte e participou com êxito de algumas de nossas primeiras pesquisas sobre mediunidade no Laboratório de Sistemas de Energia Humana da Universidade do Arizona. Isso está descrito em The Afterlife Experiments. Susy dedicou os últimos 45 anos de sua vida à questão "A vida após a morte é real?". De fato, ela mal podia esperar por sua própria morte para provar cientif**amente que ainda se encontra aqui.
Quando Susy morreu, meu cargo de cientista foi expressivamente ampliado. Deixei de ser simplesmente um estudioso sênior dedicado a experimentos para me tornar um pesquisador da mediunidade (que estuda o destino dos entes queridos falecidos).
Como conta Allison no último capítulo, "A ciência e o outro lado", em nosso primeiro encontro perguntei se ela poderia receber alguma notícia a respeito de uma pessoa muito próxima falecida recentemente. Não dei qualquer informação sobre a idade, o s**o ou o grau de relacionamento que eu mantinha com essa pessoa, e procurei não demonstrar qualquer reação - gestual ou verbal - enquanto ela me transmitia as mensagens que recebia de minha avó.
Allison recebeu informações signif**ativas e concretas sobre Susy, inclusive o motivo de sua morte, seus sonhos para a vida após a morte (por exemplo, seu desejo de estar junto de seu cachorrinho já morto, Júnior) e, principalmente, uma mensagem para mim sobre sua libertação da incapacidade física. Allison disse: "A pessoa falecida está repetindo várias vezes que devo transmitir o seguinte: 'Eu não ando sozinha.'" Por que estas quatro palavras são tão importantes? Porque indicam que Susy -que estivera presa a uma cadeira de rodas nos últimos dez anos de sua vida -, além de não estar só, agora é capaz de andar. De fato, ela não cansava de repetir que gostaria de dançar após a morte, assim que se desprendesse de seu corpo dolorido.
Nas muitas sessões seguintes, Allison revelou que Susy está viva e muito bem no outro lado. Nossa pesquisa continua, não só abrangendo três gerações - Susy, Gary (eu) e Allison - como os dois lados do universo de energia viva: aqui e lá. O que importa para mim é que Allison tem um compromisso com a verdade. Ela sabe que sua integridade pessoal, a integridade do Laboratório de Sistemas de Energia Humana e a integridade do trabalho que representa dependem de uma honestidade absoluta que pressupõe humildade.
O texto de Allison reflete sua personalidade: clara, humana, inteligente e bem-humorada. Espero que este livro alimente suas esperanças e seus sonhos como fez comigo. Allison, somos gratos a você por compartilhar conosco esse dom extraordinário.
GARY E. SCHWARTZ, Ph.D., é professor de psicologia, medicina, neurologia, psiquiatria e cirurgia, além de diretor do Laboratório de Sistemas de Energia Humana da Universidade do Arizona. Ele obteve seu Ph.D. em psicologia da personalidade em Harvard, em 1971. Após ali ensinar por cinco anos, tornou-se professor de psicologia e psiquiatria em Yale, diretor do Centro de Psicofisiologia de Yale e co-diretor da Clínica de Medicina Comportamental de Yale. Ele se mudou para o Arizona em 1988. Co-editou 11 livros acadêmicos; publicou mais de quatrocentos artigos científicos, sendo seis no periódico Science, e foi co-autor de dois livros, The Living Energy Universe e The Afterlife Experiments. Sua atual pesquisa sobre medicina da energia e sobrevivência da consciência já foi divulgada na televisão, no rádio, em jornais e revistas. Entre suas aparições na televisão estão os documentários da HBO Life After Life (Vida após a vida) e America Undercover (América revelada), o especial da A&E Beyond Death (Além da morte), além de Dateline, Nightline (Linha de datas, Linha noturna) e Good Morning. America (Bom dia, Estados Unidos), no Discovery.
Introdução
Os que conhecem o senado de TV Medium provavelmente já sabem que esse programa é baseado em fatos reais da minha vida. Para os que não conhecem o programa, escrevi este livro desejando compartilhar minha experiência como médium. A maioria das pessoas f**a curiosa por conhecer minha capacidade de ver e sentir os fatos. E talvez o conhecimento sobre os médiuns provoque em você questionamentos sobre sua própria vida.
Eu os convido a percorrer minha vida para que entendam melhor como os acontecimentos fizeram de mim o que sou. Vou lhes oferecer um vislumbre de como pode ser a vida após a morte. Vou também mostrar como podem permanecer conectados aos seus entes mais queridos. Espero que este livro os ajude e inspire como muitos outros me inspiraram.
Aqui conto minhas experiências de criança para que os jovens médiuns esclareçam suas dúvidas sobre seus dons. Espero que elas ajudem a entender como uma criança dotada provavelmente sente e vê as coisas. Também desejo que elas indiquem a maneira como aqueles que convivem com essas crianças e jovens dotados podem ajudá-los a compreender e aceitar suas aptidões. A compreensão de nossos dons faz parte de nossa trajetória para nos tornarmos seres humanos iluminados. Quero que os leitores deste livro conheçam a vida de alguém com faculdades especiais. A capacidade de se relacionar com o desconhecido, ou pensar nele, já é meio caminho andado para o desenvolvimento das crenças espirituais. A oportunidade de experimentar concretamente esse relacionamento é a outra metade do caminho.
Sobre mim
Sou médium e traço perfis. Isso signif**a que prevejo fatos futuros, penetro na mente das pessoas, detecto problemas de saúde e consigo me comunicar com os mortos. É verdade, eu vejo os mortos.
Sempre desejei que alguém criasse um termo melhor do que "sensitivo" para descrever pessoas como eu. Essa palavra ficou contaminada por também referir-se a pessoas nem sempre muito sérias. Mas não importa. O que importa é que tenho o que chamo de dom.
Nasci no dia 24 de janeiro de 1972, em Phoenix, no Arizona. Tenho um irmão mais velho, Michael, que sempre implicou comigo. Meus pais se divorciaram quando eu era bebê, mas cresci consciente do amor dos dois por mim.
Desde bem pequena, soube que era uma criança diferente. Além do encontro com meu bisavô depois de seu enterro (que conto no capítulo "Uma menina pequena se depara com o outro lado"), houve muitas outras manifestações signif**ativas do que estaria por vir.
Eu me identif**ava com personagens portadores de dons especiais. Seja a Tábata da Feiticeira ou a Tia de A montanha enfeitiçada, sabia que eu era tão diferente quanto elas. Sabia também que os adultos as consideravam tão excêntricas quanto eu me sentia. Assim como elas, eu tomava muito cuidado com o que comunicava aos outros, e compreendia por que os personagens da televisão ou do cinema escondiam suas aptidões.
Por volta dos meus dez anos, ouvi várias vezes, daqueles que vim a saber mais tarde que eram meus guias, que eu era singular. Eles me disseram que, quando eu fosse mais velha, afetaria profundamente a vida das pessoas. Na ocasião era difícil imaginar que um dia eu faria algo tão importante.
Durante toda a minha infância e adolescência fui visitada por meus guias de tempos em tempos. A identidade das vozes não era clara para mim, mas eu sabia que a fonte era boa e que vinha de um plano superior. Eu conseguia sentir a energia do visitante e, embora não f**asse assustada com sua presença, meu maior medo era não ser capaz de corresponder às suas expectativas.
Eu me perguntava continuamente: Por que eu? Eu me considerava uma menina comum, e meus pais eram divorciados. Achava a igreja chata. Minha mãe me obrigava a ir com ela aos domingos, e eu me indignava. Preferia conversar com os céus pessoalmente, quando estava sozinha. Eu me sentia bastante conectada a uma força superior e era sensível aos sentimentos dos outros em relação a isso. Tinha a impressão de que os adultos professavam uma coisa e praticavam outra, mas sabia que, se mencionasse essa contradição, seria repreendida.
Enchi meu quarto de bichinhos de pelúcia e bonecas, com o objetivo de me defender. Eu os enfileirava nas prateleiras, no chão, em todo lugar, para que preenchessem o espaço e formassem uma barreira entre mim e o desconhecido. Como eu era capaz de sentir muitas variações de energia ao meu redor e às vezes via aparições, meus brinquedos preenchiam o vazio físico, onde percebia a existência da energia. Os brinquedos também ajudavam a me acalmar. Eu tinha criado em minha mente uma explicação para a energia que experimentava. Deixei de olhar o espaço vazio e sentir como se uma energia desconhecida o ocupasse. Meus brinquedos passaram a ocupar esse espaço. As crianças, como os adultos, sempre encontram um jeito de lidar com as situações complicadas, em busca de alívio.
Passei minha juventude tentando me convencer de que era normal e fazendo tudo o que os amigos de minha idade faziam.
Ao longo dos anos 1980, participei de vários campeonatos de patinação. Gostava principalmente das raras ocasiões em que meninos e meninas competiam entre si. Eu adorava vencer os meninos.
A patinação também era uma forma de fugir do conflito entre minha mãe e o meu padrasto em casa. Quando...