Caderno de Imobiliário

Caderno de Imobiliário Notícias e artigos sobre o que se passa no mercado imobiliário, novidades sobre recentes operações de investimento, histórias giras de quem o trabalha.

Artigos sobre imobiliário, histórias de quem está ligado a este mercado, crónicas sobre alguns dos assuntos ligados com um setor que nos últimos anos tem dado muito que falar.

Artigo Expresso.
18/03/2023

Artigo Expresso.

Espaços de cowork e flex offices são cada vez mais procurados por profissionais liberais e empresas e, por isso, a sua construção também aumentou

19/12/2022

HABITAÇÃO
Maia requalifica mais de 500 casas em bairro social e aposta no espaço público


O Jardim do Sobreiro substituiu o problemático bairro social do Sobreiro, localizado no centro da Maia, e é agora servido de hortas comunitárias FOTO RUI DUARTE SILVA
O agora Jardim do Sobreiro recebeu obras de requalificação que permitiram mudar a imagem de um bairro social localizado no centro da Maia. Agora está mais moderno e mais eficiente
ELISABETE SOARES
Chamava-se Bairro do Sobreiro, mas foi rebatizado Jardim do Sobreiro pela Câmara Municipal da Maia, de forma a enfatizar a requalificação dos 44 blocos, num total de mais de 500 casas — que incluem quatro edifícios em torre e vários espaços de comércio e serviços —, mas também o espaço público, com novos arruamentos, espaços ajardinados, hortas comunitárias e vários equipamentos públicos.
Quatro anos depois do início da intervenção, o conhecido Bairro do Sobreiro está irreconhecível, indo de encontro à promessa feita aos moradores por António Silva Tiago, presidente da Câmara Municipal da Maia, na cerimónia de lançamento das obras, que decorreram no dia 27 de outubro de 2018. Um bairro social localizado no centro da cidade, a escassos metros do edifício da câmara municipal — que no início deste século esteve em venda para ser demolido e transformado num projeto residencial privado.
De referir que a renovação dos edifícios de habitação social no Bairro do Sobreiro passou por retirar as placas de fibrocimento das coberturas, um material muito usado nos anos 70 e 80 neste tipo de construções, mas de efeitos nocivos para a saúde. A reconversão apostou assim na eficiência energética dos edifícios, com a colocação de fachadas ventiladas, no isolamento térmico e acústico e na colocação de janelas de vidro duplo.
A aposta do município passou, ainda, por humanizar os espaços públicos exteriores, com a criação de jardins, passeios mais largos, mais áreas sem barreiras arquitetónicas e mais acessibilidades, a par da reconversão da iluminação pública para lâmpadas LED.
Em declarações ao Expresso, a autarquia refere que “a reabilitação do Bairro do Sobreiro é, na verdade, muito mais do que uma simples intervenção urbana, na prática constitui uma autêntica revolução na paisagem urbana daquela área da cidade que agora é um contíguo da centralidade da cidade”.
MORADORES SATISFEITOS
Esta realidade foi confirmada, numa visita ao bairro, por um conjunto de moradores, que de forma unânime consideram que este é agora um bairro “diferente”, “pacífico e muito sossegado”, com “melhores acessos” e que as “casas ficaram bem”. Isto, apesar de reconhecerem que ainda faltam algumas coisas, que aguardam que sejam concluídas, tanto nos prédios já reabilitados como a nível de novos equipamentos prometidos.
Francisco Silva, morador há vários anos no bairro, é de opinião que com as obras “ficaram muito bem”, tanto a nível do conforto térmico das casas que considera “razoável”, como das “obras dos arruamentos”. Alerta apenas a autarquia para a necessidade de zelar pela manutenção do espaço de forma a que “alguns hábitos instituídos” por parte de alguns moradores não venham a estragar o que foi feito.
O investimento global previsto até ao final das operações deverá rondar os €30 milhões
Estefânia Miranda, que mora no coração do bairro, a Praceta das Mimosas, destaca sobretudo o facto de ser um “bairro tranquilo”, embora no prédio onde habita “falta ainda concluir alguns pormenores, como é o caso das portas”.
Também Cristina Silva, que está a morar no bairro há cerca de dois anos, tendo chegado “na fase final das obras”, está satisfeita com a qualidade da casa onde habita com o marido e uma filha. Isto, apesar de “uma pequena infiltração num dos quartos” da casa, refere.
Já Joaquim Pereira, que chegou ao bairro na fase das obras e cuja casa tem vista para o horto comunitário — que recebeu obras recentes devido aos problemas provocados pelo escoamento da água — mostra-se satisfeito com o resultado da reabilitação e critica algumas pessoas “que estão sempre a reclamar com tudo”.
O reduzido número de espaços para estacionamento, junto ao edifício comercial, é um dos aspetos criticados por alguns dos seus utilizadores, que já solicitaram a sua resolução junto da empresa Espaço Municipal, e que segundo eles foi prometida uma solução.
INVESTIMENTO TOTAL DE €30 MILHÕES
Na fase de lançamento das obras, em 2018, o investimento previsto na concretização do ambicioso programa de requalificação do bairro era de €21,3 milhões, suportados pelo município, pela empresa Espaço Municipal (detida a 100% pela autarquia) e por fundos comunitários, através do programa Portugal 2020, a maior parte inscritas no PEDU, e outras no âmbito da Eficiência Energética.
Neste momento — numa altura em que se encontra concretizado cerca de metade do programa de requalificação —, a fonte da autarquia destaca que em termos de reabilitação no edificado está já executado um investimento total aproximado de €7,4 milhões, a que devem somar €4,5 milhões aplicados na transformação do espaço público. Ou seja, o investimento executado até ao presente, no Bairro do Sobreiro, totaliza €11,9 milhões.
Na renovação dos edifícios de habitação social foram retiradas as placas de fibrocimento das coberturas
No entanto, de acordo com a autarquia, o investimento global previsto até ao final das operações está agora próximo dos €30 milhões. Inclui a construção do novo edifício Sobreiro 58, destinado a habitação social acessível e energeticamente eficiente, com execução prevista até final de 2025, e do Civibox, o novo centro comunitário a construir na Praça do Oxigénio.
Inclui, também, um conjunto de operações, segundo a autarquia, a executar até final de 2024, como a reabilitação da envolvente exterior e zonas comuns, colocação de elevadores externos, em sete blocos (41, 42, 43, 44, 45, 46 e 47); a reabilitação interior de sete habitações no bloco 38; a reabilitação do piso em cave (térreo) do bloco 29, correspondente a dois fogos de tipologia T2 e a reabilitação do piso térreo / zona de serviços e comércio das torres 1, 2 e 3.
O programa de investimento tem prevista ainda a reabilitação do edificado não habitacional correspondente ao piso térreo comercial e de serviços das torres 1, 2, 3 e 4, durante o ano de 2023.
Na nova fase o município da Maia vai avançar com a reabilitação dos blocos 41 a 47 do bairro do Sobreiro, que não estavam, na primeira fase, abrangidos nas operações PEDU — Norte 2020. De acordo com a autarquia, a Espaço Municipal já desenvolveu e concluiu projeto de execução correspondente à reabilitação dos sete blocos, cuja intervenção será idêntica “aos os pressupostos arquitetónicos e construtivos assumidos nos restantes blocos já reabilitados, mas com algumas diferenças”, refere.

Casas de luxo Dos €2 milhões aos €50 milhões há oferta para todos os gostosLinha de Cascais, Lisboa, Triângulo Dourado, ...
26/08/2022

Casas de luxo Dos €2 milhões aos €50 milhões há oferta para todos os gostos

Linha de Cascais, Lisboa, Triângulo Dourado, no Algarve, e certas zonas no Porto são os locais onde se encontram as melhores e mais caras casas de luxo
FOTO D.R.

ELISABETE SOARES

São casas e propriedades exclusivas, localizadas em zonas nobres das cidades ou em locais de ‘cortar a respiração’, dotadas de grandes áreas, interiores e exteriores, com grande requinte arquitetónico e equipamentos do mais sofisticado e, em alguns casos, onde não falta um heliporto.

Falamos de casas de luxo, portuguesas com certeza, localizadas em maior número na seleta Linha de Cascais/Estoril, nos melhores bairros de Lisboa e no Triângulo Dourado, no Algarve, mas também nas zonas nobres do Porto, como a Foz do Douro, Nevogilde e Lordelo do Ouro, ou no Douro Vinhateiro e na Madeira.

Os preços vão dos €2 milhões aos €50 milhões e tal como a amplitude do valor também as suas características são muito diversificadas.

Ao Expresso, os responsáveis de quatro das principais mediadoras imobiliárias que atuam neste exclusivo segmento de luxo revelam alguns dos pormenores — uma parte apenas, porque este é um mercado onde ‘o segredo é a alma do negócio’ —, sobre a oferta atual e também as novidades sobre a procura, onde o leque de clientes internacionais é muito forte, mas onde também há muitos investidores nacionais.

Ricardo Costa, CEO da Luximos Christie’s Real Estate, alerta para “o grande dinamismo na procura de imóveis de luxo em Portugal, especialmente nas zonas costeiras”, e para o “aumento significativo dos clientes norte-americanos, com forte capacidade financeira”.

Da carteira de clientes da Luximos Christie’s, que opera no Algarve, Porto e Norte de Portugal, destacam-se “os britânicos, irlandeses e franceses”, mas também os “mercados emergentes como os Emirados Árabes Unidos ou a África do Sul”.

Filipe Lourenço, CEO da Private Luxury Real Estate (PLRE), adianta que os principais clientes, nacionais e internacionais, para este segmento de imóveis, “são grandes empresários, membros de diversas realezas europeias”, mas também “altas individualidades e celebridades de renome nas mais diversas áreas”.

DAS HERDADES ATÉ ÀS CASAS DE ARQUITETO

“Temos em carteira diferentes tipos de propriedades, desde casas ou herdades históricas até às mais modernas casas de arquitetos vanguardistas”, refere Margarida Oltra, diretora da Engel & Völkers (E&V).

Em comum, estes imóveis “oferecem, geralmente, numerosas assoalhadas, piscina, spa, áreas de lazer, de serviço e grandes jardins”, destaca. Uma carteira de imóveis, de norte a sul do país, “com valores médios entre €10 milhões e €16 milhões”, destaca.

Uma dessas propriedades em comercialização, localizada no lugar de Alcoitão, freguesia de Alcabideche, concelho de Cascais, tem um valor de venda de 46 milhões de euros. A propriedade apresenta uma casa com 1500 m2 e um terreno de 26 hectares.

Há um forte peso dos clientes internacionais no segmento do luxo, mas também há muitos investidores nacionais

Já Miguel Poisson, CEO da Portugal Sotheby’s International Realty, salienta que “os apartamentos mais caros localizam-se sobretudo em Lisboa e na Linha de Cascais”. De acordo com o responsável, “quando falamos de moradias, sobretudo as que têm vistas frontais de mar, a Linha de Cascais e o Algarve (em particular toda a costa entre a Quinta do Lago e Lagos) são habitualmente as mais valorizadas”. Frisa, “temos, igualmente, imóveis absolutamente únicos no Porto e na Madeira entre os €2 milhões e €3 milhões que têm tido recentemente mais procura”.

Do portefólio de imóveis de luxo da PLRE, “as casas mais valorizadas estão situadas em plena Avenida da Liberdade, em Lisboa, Quinta da Marinha e Quinta Patiño, em Cascais, e Quinta do Lago, no Algarve”, destaca Filipe Lourenço.

Frisa que “os imóveis mais exclusivos, na Avenida da Liberdade, situam-se entre os €2 milhões e os €7 milhões”. Já na Quinta da Marinha, Quinta Patiño e Quinta do Lago, “em termos médios, posicionam-se no intervalo entre os €14 milhões a €25 milhões”, refere o responsável da PLRE. Acrescenta que, no caso dos imóveis históricos, como palácios e palacetes, “que têm uma elevada procura, os valores podem ascender a €50 milhões”.

De referir que a PLRE vendeu, há cerca de três meses, a Turtle House, localizada em Cascais, e premiada em Paris, nos World Quality Commitment Awards, como a melhor casa de Portugal e uma das 10 melhores do mundo. O valor de venda é confidencial, mas o preço de mercado era superior a €20 milhões.

Margarida Oltra destaca, ainda, o facto de este ser “um nicho de mercado muito particular”, sendo que, normalmente, “é um processo de venda longo e discreto, já que a maioria dos clientes não quer revelar a sua identidade”.

Adverte que as transações imobiliárias no mercado de luxo revestem-se de características próprias, tendo em conta os valores que estão em negociação. “A maioria destes compradores são internacionais, embora haja também clientes nacionais”, salienta a responsável da E&V.

A IMPORTÂNCIA DA LOCALIZAÇÃO

Ricardo Costa destaca que, no Porto, os imóveis de luxo são, em regra, habitações familiares e citadinas, com todo o conforto e pormenores arquitetónicos de grande requinte. “Os apartamentos ficam em condomínios fechados, nas zonas mais nobres da cidade, com vista que se estende sobre a cidade, sobre o rio Douro ou sobre o mar”. Enquanto que “as moradias ficam na zona da Foz do Douro e nas zonas confinantes”.

No Algarve, “são quase sempre muito próximas da praia e com o oceano Atlântico ou as serras algarvias como paisagem de fundo”, acrescenta o responsável da Luximos.

As características que diferenciam estes imóveis compreendem vários fatores, destaca Miguel Poisson. Mas, adverte, “a localização de um imóvel é um dos fatores decisivos para a escolha de uma habitação, sendo que esta decisão influencia a qualidade de vida do comprador”.

Em comum, estes imóveis “oferecem, geralmente, numerosas assoalhadas, piscina, spa, áreas de lazer, de serviço e grandes jardins”

Assim, para o responsável da Portugal Sotheby’s, aspetos “como a localização, a dimensão/área, características de construção e acabamentos”, são muito relevantes. Mas há outras características, “se o imóvel é um palacete, tem uma arquitetura premiada”, mas também, “o nível de segurança, o conforto, a exclusividade” são essenciais.

Sobre as características que distinguem estes imóveis, Filipe Lourenço frisa que o “destaque vai para a localização, mesmo dentro das zonas mais premium”, e para “o elevado valor histórico, no caso de palácios e palacetes”.

Depois, seguem-se fatores como “as dimensões (podem ter, por exemplo, 3500 m2), exclusividade e raridade dos materiais usados, de qualidade e detalhe dos acabamentos, reputação do arquiteto e elementos relacionados com a sustentabilidade”, acrescenta.

Finalmente, para o responsável da PLRE, destacam-se características únicas e diferenciadoras, “como a existência de heliporto no imóvel, proximidade de uma marina”, ou ter “sala de cinema, spa, garagem com acesso visual de dentro de casa, campos de ténis e squash, ginásio e piscina interior ou estar integrada num campo de golfe, entre outras”.

28/06/2022

HABITAÇÃO

Investimento estrangeiro anima mercado residencial na ilha da Madeira

Os projetos habitacionais em desenvolvimento em vários locais na Madeira estão a ser alvo de forte procura, sobretudo por compradores estrangeiros, mas também por algumas franjas de emigrantes com mais poder de compra

Os projetos habitacionais em desenvolvimento em vários locais na Madeira estão a ser alvo de forte procura, sobretudo por compradores estrangeiros, mas também por algumas franjas de emigrantes com mais poder de compra

Mercado residencial de luxo é o segmento com maior crescimento no centro do Funchal: preços por metro quadrado atingem os €8 mil

ELISABETE SOARES

Omercado residencial na Madeira está a atravessar um período de forte procura, protagonizado sobretudo por estrangeiros e emigrantes, mas onde as famílias locais também desempenham um lugar de destaque. Esta situação é reconhecida por alguns promotores imobiliários com empreendimentos em comercialização na Madeira, contactados pelo Expresso, mas também pela autarquia do Funchal.

A “falta de oferta” e sobretudo “a forte procura fazem disparar os preços, que atingem os €7 mil a €8 mil o metro quadrado no centro do Funchal”, disse, recentemente, Pedro Calado, presidente da autarquia, numa conferência realizada em Lisboa, no âmbito de um evento sobre o sector. Referindo-se ao forte investimento em fase de execução em projetos residenciais, “à volta de €1000 milhões, nos últimos anos”, Pedro Calado destaca o papel que “a população de ‘nómadas’ digitais”, em especial estrangeiros, está a assumir na concretização de vendas na habitação, sobretudo no Funchal.

Por seu lado, Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira, é de opinião que para se manter “o volume de investimento, a atratividade do investimento e, sobretudo, mantermos o entusiasmo dos investidores, é decisivo e importante não complicarmos”, lamentando que a legislação portuguesa (e também a europeia) contenha normas “muito atrasadas ou anacrónicas” que dificultam o andamento dos projetos.

A falta de oferta e sobretudo a forte procura estão a provocar um aumento de preços na habitação

Citado pela Lusa, o chefe do executivo madeirense falava na cerimónia de apresentação do empreendimento Madeira Acqua Residences, no Funchal, um projeto do grupo Pestana, orçado em €100 milhões, que vai transformar o antigo Hotel Madeira Palácio numa área residencial, com 181 apartamentos, 25 dos quais com piscina privada.

No entanto, considerando os dados de avaliação bancária, publicados pelo Instituto Nacional da Habitação (INE), o valor médio praticado em abril no Funchal foi de €1546/m2, um crescimento de 3,8% em relação a dezembro de 2021, que registou €1489/m2.

Também de acordo com o relatório do portal Idealista — baseado nos valores de oferta de imóveis para venda publicados na plataforma —, o preço máximo praticado na cidade, em maio, foi de €2308/m2, representando +1,6% em relação a abril, +5,8% em relação a fevereiro e +15,4% em relação a maio de 2021.

O Idealista destaca ainda que o preço máximo praticado na Madeira, no último mês, foi de €2082/m2, representando +0,3% em relação a abril e +5,7% em relação a fevereiro. Se compararmos o valor praticado em maio com o mês homólogo de 2021 verificamos um crescimento de +16,3%.

PESO DO INVESTIMENTO ESTRANGEIRO

De acordo com Victor de Sousa, diretor-geral da AFA Real Estate, o peso do investimento estrangeiro na comercialização dos projetos residenciais Savoy Residence — que se encontram num segmento topo de gama — “é significativo”.

Destaca que “o mercado imobiliário tem revelado um bom desempenho alicerçado sobretudo no investimento estrangeiro, com elevado poder de compra face ao custo de vida em Portugal”.

O responsável refere que este desempenho é também influenciado por outros fatores, “como as baixas taxas de juro, a instabilidade dos mercados financeiros e os benefícios fiscais concedidos a não-residentes”.

Victor de Sousa considera que a estes fatores alia-se o facto de a Madeira ser um destino “com qualidade e muita segurança”, com “ligações aéreas e pouco tempo de viagem das principais capitais europeias”, bem como a qualidade das branded concept, um conceito constituído por apartamentos que permitem aos clientes usar as instalações dos hotéis como se fossem hóspedes.

No caso dos clientes residentes da Madeira, o responsável da AFA destaca que “a procura é gerada sobretudo pela exclusividade e localização” dos produtos residenciais.

INTERESSE DA DIÁSPORA

Custódio Correia, presidente-executivo do grupo Socicorreia, alerta para o “grande equilíbrio por parte de residentes, não-residentes e de investidores”, visível no mercado madeirense. Frisa que, em relação aos não-residentes, “os europeus e a diáspora madeirense e açoriana são os que demonstram mais interesse” na aquisição de imobiliário.

Com vários projetos em promoção na ilha, o grupo Socicorreia tem em construção o Varino 05, na Estrada Monumental, no Funchal. “É o primeiro edifício do empreendimento Dubai na Madeira, um dos maiores investimentos privados da região”, destaca Custódio Correia. Acrescenta que “os 34 apartamentos e os quatro espaços comerciais estão praticamente todos comercializados”, estando a conclusão prevista para o último trimestre do próximo ano.

O valor médio praticado em abril no Funchal, segundo o INE, foi de €1546/m2, um crescimento de 3,8% em relação a dezembro de 2021

Já João Ribeiro, diretor de imobiliário do grupo doValue Portugal, alerta para “a procura para investimento”. Contudo, considera que “o predomínio tem sido para primeira residência de madeirenses”. E adverte: “Temos tido um número significativo de investidores dos mercados britânico e norte-americano.”

Para elucidar esta situação, destaca o facto de no empreendimento Casas Brancas se ter conseguido vender “30% das moradias” e recebido “várias propostas” logo nas primeiras duas semanas de lançamento da comercialização.

Victor de Sousa acrescenta que no caso dos empreendimentos Savoy Residence a procura vem de vários mercados, nomeadamente “Reino Unido, França, Suíça, Alemanha, EUA, Rússia, Brasil, Países Baixos, sem esquecer o nosso mercado da saudade, África do Sul e Venezuela”.

OFERTA RESIDENCIAL EM CONSTRUÇÃO

O grupo Socicorreia está neste momento a construir o Condomínio Século XXI, onde se inserem cinco edifícios (18, 19, 20, 21 e 22). Localizado no Funchal, nas Virtudes, “os apartamentos deste condomínio privado têm vista para o mar, piscina, parque infantil e área fitness, e encontram-se envolvidos por cerca de 3000 m2 de jardins”, refere o promotor. O grupo tem em fase de projeto um novo condomínio privado, “uma modalidade com oferta bastante elevada”, observa.

Já o doValue Portugal está a gerir quatro projetos imobiliários de uso residencial, propriedade da Oitante. O empreendimento Casas Brancas, no Funchal, é composto por 11 moradias, que se encontram em comercialização. Tem ainda em fase de desenvolvimento três projetos residenciais no Funchal — nas zonas do Monumental, Virtudes e Piornais, com pedidos de informação prévia já aprovados.

A imobiliária do grupo AFA tem em construção o Savoy Residence Insular, com a conclusão prevista para final deste ano. Constituído por 49 apartamentos e 12 lojas comerciais, está já em fase de comercialização e, segundo o responsável, 40% estão vendidos. O Savoy Residence Monumentalis, com conclusão prevista para o final de 2023, tem 147 apartamentos, 20 lojas comerciais — 30% estão vendidos.

10/06/2022

A procura de casas nas zonas rurais aumentou, mas a boa cobertura de fibra ótica é uma exigência para a concretização do negócio

10/06/2022

HABITAÇÃO

Nómadas digitais agitam imobiliário no Alto Minho

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Parte da procura é estrangeira, de várias nacionalidades, e, de uma maneira geral, a preferência vai para propriedades com valores entre os €80 mil e os €120 mil FOTOs d.r.
Parte da procura é estrangeira, de várias nacionalidades, e, de uma maneira geral, a preferência vai para propriedades com valores entre os €80 mil e os €120 mil
FOTOS D.R.

A procura de casas nas zonas rurais aumentou, mas a boa cobertura de fibra ótica é uma exigência para a concretização do negócio

ELISABETE SOARES

Os concelhos do Alto Minho são cada vez mais procurados pelos nómadas digitais, muitos deles estrangeiros, que procuram uma casa localizada sobretudo nas zonas rurais mas onde exista uma boa cobertura de fibra ótica.

A situação é descrita ao Expresso por um conjunto de profissionais de empresas de mediação imobiliária que atuam nesta sub-região do Minho, que faz fronteira com a Galiza, com o Cávado e com o Atlântico.

“Nos últimos dois anos sentimos uma grande afluência de clientes, de proveniência diversificada, que procuram locais no interior, mas bem servidos de fibra ótica, para poderem trabalhar”, conta Venâncio Fernandes, sócio-gerente da Arcobarca Imobiliária, sociedade de media­ção que atua nos 10 concelhos que fazem parte desta região e que tem Viana do Castelo como capital administrativa.

O responsável destaca o facto de parte da procura ser feita por estrangeiros, “de nacionalidades diversificadas”, parte deles “casais em idade ativa”, outros “próximos da reforma”, mas que, de uma maneira geral, “procuram propriedades com valores de investimento entre os €80 mil e os €120 mil”.

A diferença em relação a 2020 é o facto de agora “haver procura, mas pouca oferta”

Seduzidos pelo verde da paisagem, pelo clima e pelas tradições, os estrangeiros valorizam a segurança mas também a sua centralidade e bons acessos a infraestruturas, como é o caso dos aeroportos do Porto e de Vigo.

De acordo com Isabel Cambão, responsável da Habitual Real Estate, mediadora com 12 anos de atividade neste mercado, os clientes estrangeiros agrupam-se principalmente em duas categorias: “Os que têm maior poder de compra e escolhem boas localizações, muito próximas do centro das cidades”, cujo destino do investimento é, na maioria das vezes, a aquisição para rentabilizar. Outro grupo “procura localidades rurais e isoladas, privilegiam a natureza, mas querem que tenha acesso à internet”, já que o objetivo é “trabalhar a partir daí”.

Encontrar casas com “boas condições de habitação e boas acessibilidades” constitui, na sua opinião, uma das maiores dificuldades. Quando isso acontece, “estes estrangeiros — do Norte da Europa, alemães, espanhóis mas também franceses e italianos, e, mais recentemente, brasileiros — têm disponibilidade para comprar casas, ou quintas, com valores médios de €300 mil a meio milhão de euros”, destaca.

“Os valores oscilam quando as casas precisam ou não de obras de renovação”, destacando que “alguns não querem obras”, e em muitos casos são feitas apenas posteriormente, pelos futuros proprietários.

CASAS DE SEGUNDA HABITAÇÃO

Isabel Cambão alerta para o facto de os preços das habitações nesta região do país não serem “baratos”. As razões têm a ver com as características da região, desde sempre muito procurada para aquisição de casa de segunda habitação, sobretudo pelos habitantes da região do Grande Porto, mas também das regiões vizinhas espanholas, e muito incrementada sobretudo desde o início da pandemia.

Rui Borlido, responsável da Insuavila Imobiliária, fala no peso dos clientes de segunda habitação, “especialmente da zona do Porto”, que dividem a “semana entre as duas localidades”. Contudo, confirma também a maior procura por parte de estrangeiros, que se instalam na região para trabalhar a partir de casa. “Esta é uma nova realidade”, refere.

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Segundo este responsável, os clientes estrangeiros dividem-se em dois grupos: “Os casais de profissionais que procuram uma habitação com um preço mais acessível” e os casais, com idades já “próximas da reforma, que procuram casa para residir, mas que estão a pensar também nos benefícios fiscais”, sobretudo no regime fiscal para residentes não-habituais em Portugal.

A escolha desta região deve-se, maioritariamente, “à qualidade de vida, ao clima, à sua identidade”.

Alertando para o crescimento da procura da ordem dos “20% a 30% nos últimos anos”, o responsável da Insuavila destaca que a “grande dificuldade é conseguir produtos”.

VÁRIOS TIPOS DE CLIENTES

Para Ana Valverde, responsável pelo escritório da Bambu Imobiliária, em Caminha, a procura nos primeiros meses de 2022 foi “mais moderada”, ao contrário dos dois anos anteriores, “em que houve muitas vendas”. Contudo, esclarece, “continua a aparecer todo o tipo de clientes”, tanto para o centro da cidade, como para as zonas rurais. “Os alemães continuam a ser clientes fiéis”, mas também há “espanhóis e portugueses, alguns ingleses, belgas e franceses”, diz. Mas, sublinha, também temos clientes “da África do Sul, da Austrália e alguns americanos”.

A diferença em relação a 2020, afirma, é o facto de agora “haver procura, mas pouca oferta”, e o que aparece apresenta preços muito elevados. “Antes, por uma ruína (casa em avançado estado de degradação) pediam-se €20 a €30 mil. Agora, pedem-se €70 mil”.

Na sua opinião, a concorrência começa logo na angariação dos imóveis por parte das empresas de mediação, o que faz disparar os preços.

Os estrangeiros, regra geral, têm maior poder de compra que os nacionais

Contudo, em média, os clientes procuram casas com “valores entre os €150 mil e os €200 mil”, e, contrariamente aos portugueses — que optam por restauros profundos —, muitos estrangeiros “dão uma limpeza e vão viver para lá”. Mais tarde “avançam com as obras”.

Isabel Cambão confirma que a “oferta que existe apresenta preços finais elevados”. A si­tuação torna-se ainda mais complicada porque a “construção nova é pouca e cara”.

A escassez de habitação nova levou o grupo Insuavila a avançar também com a promoção de projetos imobiliários, esclarece Rui Borlido. É o caso da construção de quatro moradias em Moledo, concelho de Caminha, mas cujo início de comercialização foi adiado devido à atual situação de aumento do preço da construção.

Venâncio Fernandes alerta para o peso dos clientes de segunda habitação, sobretudo oriundos dos concelhos do Grande Porto e também da comunidade de emigrantes — que atualmente significa entre 40% e 50% do número de transações da Arcobarca. Parte deles com investimentos direcionados para projetos de Alojamento Local localizados, de preferência, nos centros das cidades.

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