05/09/2026
Em uma estação de bombeiros na Califórnia existe uma lâmpada que parece desafiar o próprio tempo. Ela foi instalada em 1901 e, com pouquíssimas interrupções, continua acesa até hoje. Mais de 120 anos depois, a Centennial Light ainda funciona.
Ela foi produzida em uma época em que muitos produtos eram feitos com foco em resistência e longa duração. Seu filamento de carbono ajudou a transformá-la em um verdadeiro símbolo de durabilidade, especialmente quando comparada às lâmpadas que usamos atualmente.
Mas algumas décadas depois, a indústria começou a seguir uma lógica bem diferente.
Nos anos 1920, grandes fabricantes de lâmpadas criaram o chamado Cártel Phoebus e concordaram em limitar a vida útil de seus produtos a cerca de 1.000 horas. A ideia era simples: se uma lâmpada durasse menos, o consumidor precisaria comprar outra mais rapidamente.
Esse episódio acabou se tornando um dos exemplos mais conhecidos de obsolescência programada, estratégia em que a vida útil de um produto é reduzida para estimular compras recorrentes.
E é justamente isso que torna essa velha lâmpada tão impressionante. Enquanto milhões de lâmpadas foram compradas, queimaram e foram substituídas ao longo das décadas, aquela instalada em 1901 continuou acesa.
Mais de um século depois, ela ainda levanta uma pergunta incômoda: se já era possível fabricar algo tão durável naquela época, por que tantos produtos de hoje parecem feitos para durar cada vez menos?