12/03/2026
Tivemos o prazer de privar com o Arquiteto Brito e Abreu, um profissional incansável e uma pessoa excepcional. Vai deixar saudades🤍
𝐉𝐨𝐫𝐠𝐞 𝐒𝐞𝐛𝐚𝐬𝐭𝐢𝐚̃𝐨 𝐌𝐚𝐭𝐭𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐫𝐢𝐭𝐨 𝐞 𝐀𝐛𝐫𝐞𝐮
(16 de outubro de 1949 – 9 de março de 2026)
𝐼𝑛 𝑚𝑒𝑚𝑜𝑟𝑖𝑎𝑚
O Património Cultural, I.P., manifesta o mais sentido e profundo pesar pelo falecimento do Arquiteto Jorge Sebastião Mattos de Brito e Abreu, e endereça condolências à Família e aos Amigos nesta hora de perda e de dor.
Jorge de Brito e Abreu, como se fez conhecido, licenciou-se em Arquitetura pela Escola de Belas Artes de Lisboa e durante mais de meio século trabalhou em prol da salvaguarda e da valorização do Património Cultural português, como Arquiteto e experienciado Investigador. E, desde 2006, integrou o Conselho Nacional de Cultura, na Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico, hoje designada Secção especializada permanente do Património Arquitetónico, Arqueológico e Imaterial, funções que exerceu até agora com a mais inteira, proficiente e dedicada competência.
Iniciou o seu percurso profissional na Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) em 1 de março de 1974, tendo estagiado com o Arquiteto Elísio Summavielle Soares, na Direção de Serviços de Monumentos. Na DGEMN acompanhou e orientou inúmeras intervenções em monumentos classificados, tendo inclusive exercido o cargo de Diretor da Direção de Serviços da Salvaguarda. Após a extinção da DGEMN (2007), ingressou nos quadros do Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico, I.P. (IGESPAR, I.P.) e, por fim, da Direção-Geral do Património Cultural. Entre 2009 e 2011, integrou o Gabinete do Secretário de Estado da Cultura do XVIII Governo Constitucional. Trabalhou até ao limite de idade que a Lei impõe, tendo posteriormente continuado a colaborar com a Administração Cultural, quer ao tempo da Direção-Geral do Património Cultural, quer na atualidade com o Património Cultural, I.P. Colaborou também, até agora, com o Fundo Rainha D. Leonor, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, tendo aí prestado relevante apoio técnico à reabilitação, conservação e restauro e valorização do extraordinário património das Santas Casas da Misericórdia.
Jorge de Brito e Abreu desenvolveu intensa atividade na sociedade civil, com participação em diversas entidades associativas, tendo sido, nomeadamente, Vice-Presidente da Associação Portuguesa das Casas Históricas, e, na atualidade, Vice-Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Genealogia.
Integrou inúmeras associações de fiéis no âmbito de atuação da Igreja Católica, tendo sido Juiz da Irmandade de Nossa Senhora do Castelo, em Coruche, e exercendo até agora o cargo de Juiz da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Sé Patriarcal de Lisboa. Nesse quadro, foi sempre um elemento aglutinador de boas vontades, apoiando e fazendo frutificar a estreita ligação entre o Património Cultural português e a Igreja Católica, de que constituirá expoente referencial a sua intervenção técnica na reabilitação do Mosteiro de São Vicente de Fora tendo em vista a instalação do Patriarcado de Lisboa.
No seu percurso técnico, mas sobretudo pessoal, visitou e conheceu inúmeros monumentos em todo o território português, sem nunca deixar de ter Coruche por eixo da sua vida. Aí tinha a sua Casa, onde acolhia como ninguém, e por aí acarinhou um sem número de vestígios do passado coletivo, materializado num relevante acervo documental e librário, que reuniu ao longo da vida e que é merecedor de respeito e de particular atenção. Em Coruche, com efeito, guardou Jorge de Brito e Abreu as memórias de Família e os sinais visíveis da sua imensa curiosidade sempre muito informada, que o guindou à condição singular de profundo conhecedor da História deste País.
Quem teve o privilégio de conhecer e de privar com o Arquiteto Jorge de Brito e Abreu há de para sempre preservar a firme convicção do quanto o saber, a civilidade, a generosidade e a determinação em perseguir a beleza e a bondade podem de facto conviver e materializar-se numa única vida, vale dizer numa Pessoa verdadeiramente única.
𝑂 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑒𝑙ℎ𝑜 𝐷𝑖𝑟𝑒𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑑𝑜 𝑃𝑎𝑡𝑟𝑖𝑚𝑜́𝑛𝑖𝑜 𝐶𝑢𝑙𝑡𝑢𝑟𝑎𝑙, 𝐼.𝑃.