10/04/2026
Quando estar sempre disponível se tornou sinônimo de estar sozinha/o.
Já alguma vez te sentiste completamente sozinha/o, ainda que rodeada/o de notificações, reuniões no Zoom e mensagens no Slack, e sem conseguir perceber bem o que estavas a sentir. Não é simplesmente cansaço. Não é falta de produtividade. É solidão. Uma solidão particular, silenciosa, que cresce à sombra de um modelo de trabalho que se vende como emancipatório e que, para muitas pessoas, tornou-se numa armadilha invisível.
Convivo com trabalhadores remotos no meu espaço de cowork há quase uma década. Ao longo destes anos, ouvi variações desta mesma história dezenas de vezes com uma mudança acentuada no pós pandemia. A pessoa que trabalha de casa há dois anos e já não sabe como iniciar uma conversa de corredor; a mulher que gere a casa, os filhos, as videochamadas e o almoço, tudo ao mesmo tempo, sem sair do mesmo espaço; o freelancer que responde a e-mails às 23h porque não há nenhum ritual que marque o fim do dia.
O trabalho remoto não criou a solidão nem é novo — existe como conceito desde os anos 70. Durante décadas foi uma escolha de poucos, rodeada de outras estruturas sociais que compensavam o isolamento profissional. O que mudou foi o mundo à volta. Quando o trabalho presencial era a última fricção que nos obrigava a sair de casa, a encontrar outros corpos na mesma sala, a ter conversas que não marcámos, retirá-la tem um custo que ainda estamos a calcular.
( artigo completo no link da bio)