08/22/2014
Internacionalize-se também! – artigo original de Elisabete Melo Coutinho, Diretora da Koser International (www.elisabetecoutinho.com / www.koser.biz) – escrito em conformidade com o AO por requisitos editoriais.
A internacionalização é o caminho mais lógico na era da globalização. Se está a pensar em expandir o seu negócio para o estrangeiro, deve ter em conta alguns aspetos fundamentais, que podem determinar o seu sucesso. Sabemos que a sua visão empresarial é fantástica, que o seu produto/ serviço tem tudo para vencer “lá fora” e que o mundo não tem fronteiras para si. Contudo, a internacionalização é uma experiência grandiosa que lhe poderá trazer lucros, mas também muito trabalho, e deve, por isso, encará-la com entusiasmo. Eis alguns passos que podem ser úteis neste percurso:
1. Interesse-se e conheça, no mínimo, os aspetos básicos da(s) língua(s) e da cultura dos países em que vai trabalhar. Se for um horizonte cultural totalmente novo para si, não hesite em recorrer a ajuda profissional. Inscreva-se em cursos específicos. Aprenda a comunicar, também de forma autodidata. Com apenas uma hora por dia, num mês poderá estar já minimamente preparado/a para enfrentar um novo mercado com alguma confiança. E se precisar de apoio adicional, procure um tradutor/intérprete e/ou um guia certificado, mas JAMAIS assine seja o que for sem ter a total certeza do conteúdo de qualquer documento numa língua que não domina. Elimine o “acho que percebi” do seu vocabulário.
2. É importante conhecer o modus operandi das entidades responsáveis nesse país pela sua área de negócio: conhecer a legislação fiscal, alfandegária e civil, bem como os procedimentos comerciais e empresariais, pode fazer uma diferença enorme no seu investimento em internacionalização. Por precaução, recorra a consultores, assessores legais e especialistas financeiros para que analisem a complexidade do seu projeto, assim como para operações de importação/exportação, proteção de direitos comerciais e intelectuais, financiamentos governamentais e privados, e obrigações fiscais.
3. Encare os investimentos no estrangeiro numa perspectiva de médio/ longo prazo. Comprometer-se a dar o seu melhor e preparar-se para correr riscos é uma atitude mental excelente, mas estude detalhadamente e considere bem todos os riscos e oportunidades que uma decisão destas pode trazer para a sua vida pessoal e profissional.
4. O ideal é mudar-se temporariamente para o país onde vai investir, ou deslocar para o mesmo um representante (não é preciso dizer que deve ser alguém da sua total confiança) ou uma equipa com as qualificações técnicas necessárias. Desta forma, garante a coordenação completa do seu negócio no estrangeiro. Contudo, sabemos que, na maioria das vezes, é necessário escolher um parceiro local – lembre-se, porém, de que o negócio é seu, e não do seu parceiro, e que deve, por isso, dar-lhe toda a atenção necessária.
5. A escolha deste parceiro local deve ser muito cuidadosa. Averigue o posicionamento do mesmo no mercado, visite as instalações e unidades de produção, e não descure as diligências de averiguação legal e financeira antes de colocar o seu bom nome nas mãos de qualquer outra pessoa. Fale com o máximo de potenciais parceiros que conseguir e decida-se por alguém que lhe inspire confiança, que partilhe dos seus valores empresariais e que esteja alinhado consigo para um objetivo comum. Coloque por escrito todas as condições do negócio, de forma clara e objetiva, antes de qualquer ação comum. A realidade é que “o seguro morreu de velho”.
6. Visite regularmente o país para onde se internacionalizou; é importante que o mercado e os seus parceiros locais sintam que há um acompanhamento da sua parte. Também lhe permite verificar, no local, o progresso do seu projeto e, desta forma, ir reformulando ou adaptando o seu plano de ação.
7. Mostre empatia e respeito pelas tradições locais, e seja grato/a: os empresários desse país gostarão de sentir que o investimento estrangeiro representa também uma forma de confiança e apreço pelas oportunidades que estão a proporcionar a nível global.
8. Marque a diferença, inove, participe no progresso social: se está a investir em países onde as condições de vida e a igualdade social estão ainda longe do ideal, tente intervir, de forma positiva, no desenvolvimento local, ajude a construir escolas, envolva-se em ações de beneficência, promova práticas empresariais justas e dignas e, acima de tudo, tenha em mente que todos estamos a lutar por um lugar ao sol neste espaço comum chamado mundo. Faça-se notar pela positiva; aumentará assim a sua rede de networking, perceberá melhor o funcionamento governamental local e sentir-se-á mais integrado/a social e profissionalmente, o que pode facilitar bastante a sua estadia e viagens a esse país.
9. Preste atenção a novas oportunidades de negócio fora da sua zona de conforto. Pode encontrar fontes de rendimento inesperadas e interessantes onde menos espera.
10. Aprecie cada momento. A internacionalização pode ser uma experiência profissional e pessoal fantástica. Viaje, experimente gastronomias diferente, conviva com pessoas com vivências diversas, evolua como ser humano, aprenda novas línguas, dê um passo em frente no seu progresso profissional e, garanto-lhe, esta vai ser uma das experiências mais enriquecedoras da sua vida!